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Sexta, 27 de março de 2009, 08h16 Atualizada às 19h25

A vitoriosa trajetória de Geraldão

Divulgação
O publicitário Geraldão no começo da carreira, em 1982, na Bahia
O publicitário Geraldão no começo da carreira, em 1982, na Bahia

No sábado, 28 de março, o publicitário Geraldo Walter de Souza Filho receberá uma homenagem póstuma em Salvador. Às 10h30, será reinaugurada a praça que leva seu nome, no bairro do Rio Vermelho. Uma escultura, feita por Darlan Rosa, reviverá a sua memória. A praça, a escultura, toda uma construção do seu grande número de amigos e amigas de toda a vida. A escolha topográfica não é aleatória. Ali, na rua Almirante Barroso, "Geraldão" iniciou sua vida profissional, na agência D&E.

A praça em homenagem ao inquieto baiano - morto aos 41 anos, vítima de câncer, em março de 1998 -, foi inaugurada há dez anos, graças à iniciativa de amigos; entre eles, Cláudio Barreto, Sydney Rezende e Nizan Guanaes. Agora, de novo um levante dos amigos e da família. A irmã, Guta, os irmãos, os que com ele trabalharam e conviveram, a Cila, com quem teve o filho Felipe...

A praça estava abandonada e passou pela reforma bancada por velhos companheiros e familiares. No sábado, os amigos "de copo e de cruz" celebrarão sua memória.

Geraldão fez quatro campanhas presidenciais. Três no Brasil e uma no exterior, em Angola. Seus candidatos saíram vitoriosos em três delas.

Em 1989, trabalhou na campanha de Ulysses Guimarães à presidência da República, quando o "Senhor Diretas" enfrentou uma de suas mais duras provações políticas. Na década de 90, o baiano foi coordenador e o comandante da estratégia de comunicação da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1994; ainda estaria à frente nos primórdios da campanha de 1998, pouco antes de morrer.

A vasta experiência profissional o levou à África. Uma equipe de publicitários e jornalistas brasileiros trabalhou na primeira campanha eleitoral de Angola, em 1992. Nas urnas, a vitória de José Eduardo dos Santos. O impacto da campanha angolana foi considerado, pela imprensa internacional, uma vitória da equipe. Uma vitória de Geraldão.

A primeira grande vitória do publicitário no marketing político se deu em 1986, na coordenação da campanha do então peemedebista Waldir Pires ao governo da Bahia. O slogan era: "A Bahia vai mudar" - por trás dele, a esperança de novos ares políticos. Pires foi eleito com margem de mais de 1 milhão de votos; o candidato de Antonio Carlos Magalhães, Josaphat Marinho, sofreu amargo revés da história. Um marco na redemocratização do Estado.

Ao lado de Nizan Guanaes, Rui Rodrigues e equipe, Geraldão coordenou, simultaneamente, cinco campanhas em 1994. Seriam eleitos naquele ano cinco governadores, sob tutela da dupla baiana. Antonio Britto no Rio Grande do Sul, Jaime Lerner no Paraná, Marcello Alencar no Rio de Janeiro, Tasso Jereissati no Ceará. E FHC chegou ao Palácio do Planalto.

A revista Marketing dedicou uma edição especial ao feito: "Geraldo Walter: O publicitário de 44 milhões de votos".

Em 1996, seria a vez de coordenar a campanha de José Serra à prefeitura de São Paulo, que terminou derrotada.

Já doente, Geraldão fez o planejamento inicial da campanha pela privatização da telefonia no Brasil. No dia 14 de março de 1998, morreu em Salvador.

 

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