Terra Magazine

› Terra Magazine › Saúde

Segunda, 27 de abril de 2009, 14h50 Atualizada às 18h20

Infecto: É questão de tempo para gripe chegar aqui

AP
Agente sanitário sul-coreano inspeciona carne de porco importada do México, em Anyang
Agente sanitário sul-coreano inspeciona carne de porco importada do México, em Anyang

Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine

Doença respiratória que atinge porcos e homens: febre, cansaço extremo, tosses e espirros. Em entrevista a Terra Magazine, o infectologista Arthur Timerman explica que "é uma questão de tempo para essa gripe chegar ao Brasil". E acrescenta que "as grandes metrópoles com ar poluído são mais suscetíveis".

- Não dá para ter previsões mais precisas, mas com viagens aéreas o deslocamento do vírus é muito fácil. Podendo assim se configurar como uma pandemia. As grandes cidades e periferias, com más condições de habitação são as áreas de maior risco. O ar poluído é outro fator agravante, porque as pessoas já têm uma deficiência respiratória.

Veja também:
» Opine sobre a gripe suína que pode se espalhar pelo mundo
» OIE quer chamar gripe suína de "gripe da América do Norte"
» OMS antecipa reunião de emergência sobre gripe suína

O vírus tem diversas variantes. Algumas das mais conhecidas são a H1N1, a H2N2 e a H3N2. Mas, assim como todos os vírus da gripe, tem um material genético fragmentado que se chama RNA e que se recombina constantemente. "Esta gripe suína é uma reordenação deste material genético trocado entre porco e homem, para a qual as pessoas não desenvolveram imunidade", alerta Timerman, também chefe do Setor de Infectologia do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.

"Pessoas mais desnutridas estão, logicamente, mais suscetíveis inclusive à morte por conta desse vírus", afirma Timerman.

- No México e em alguns lugares do Brasil, o porco é um animal quase como um cachorro, tem gente que dorme com o porco. Essa convivência é que permite a recombinação, que vai gerar o novo vírus.

O que difere este novo vírus do que gerou a gripe aviária, detalha o infectologista, é que na aviária a transmissão se dá de animal para humano e não entre humanos como acontece na gripe suína. Além do fato de este novo vírus estar se espalhando de maneira "muito, muito mais rápida", enfatiza.

- Essa epidemia é muito preocupante, é sem limites, não se sabe até onde ela vai chegar - diz Arthur Timerman.

Questionado se o Brasil estaria preparado para o caso de o vírus migrar, Timermam se diz "esperar que sim, mas não tenho muita certeza disto. É preciso um lugar de isolamento, laboratórios que possam identificar os casos precocemente, remédios para dar precocemente também e em larga escala".

Arthur Timerman ressalta um conceito que existe no mundo inteiro de ser possível prever qualquer epidemia a priori. "Isto não acontece, como estamos vendo agora. Fomos surpreendidos, esta não era uma epidemia antecipada". Ainda critica o serviço de vigilância e de detecção precoce: "Não funcionam a contento".

"O Brasil precisa se preparar, precisamos de uma vigilância rigorosa, isolamento e tratamento de casos e contactantes", conclui o infectologista.

Terra Magazine

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol

Argentina Chile Colômbia Equador Estados Unidos México Peru Venezuela