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Sábado, 9 de maio de 2009, 07h41

Um dia a gente faz

Alberto Luiz Fonseca
De Sidney, Austrália


"Um dia percebemos que somos felizes
sem comprar o último modelo de televisor"

Um dia, a gente faz 40 anos de idade.

Um dia, a gente ganha dinheiro, alcança objetivos, realiza sonhos da infância e adolescência.

Um dia, a gente para de querer provar que é capaz, e simplesmente faz.

Um dia, a gente para de se perguntar onde está o amor e simplesmente ama.

Um dia, a gente percebe que, não só "nem tudo é para sempre", mas também NÓS não somos para sempre. Nesse dia, a gente se dá conta de que bens materiais em excesso tornam-se empecilhos na vida e, ao contrário, acumular memórias boas, de bem-fazer, é o que nos traz conforto de verdade.

Um dia, apesar dos anúncios frenéticos na televisão venderem o contrário disso, percebemos que somos felizes sem comprar o último modelo de televisor de "x" polegadas para assistir à Copa do Mundo.

Um dia, a gente para de brigar com nossos maridos ou mulheres, namorados ou namoradas, por coisas menores como "quem vai lavar a louça esta noite".

Um dia, a gente entende porque Platão disse de Sócrates (o filósofo grego, não o jogador de futebol) que, "ao ir para a prisão, o mundo lá fora é que estava preso - ele, em sua, cela estava livre".

Um dia, a gente percebe que Sócrates, em sua cela, não se sentia livre, apenas. Ele ERA livre.

E isso faz toda diferença.


Alberto Luiz Fonseca, mineiro e diplomata, serve atualmente na Embaixada do Brasil em Sidney, Austrália. Filho de pais músicos, foi fundador do "Café com Letras", conhecido café e livraria de Belo Horizonte.

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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