
Alberto Luiz Fonseca
De Sidney, Austrália

"Um dia percebemos que somos felizes
sem comprar o último modelo de televisor"
Um dia, a gente faz 40 anos de idade.
Um dia, a gente ganha dinheiro, alcança objetivos, realiza sonhos da infância e adolescência.
Um dia, a gente para de querer provar que é capaz, e simplesmente faz.
Um dia, a gente para de se perguntar onde está o amor e simplesmente ama.
Um dia, a gente percebe que, não só "nem tudo é para sempre", mas também NÓS não somos para sempre. Nesse dia, a gente se dá conta de que bens materiais em excesso tornam-se empecilhos na vida e, ao contrário, acumular memórias boas, de bem-fazer, é o que nos traz conforto de verdade.
Um dia, apesar dos anúncios frenéticos na televisão venderem o contrário disso, percebemos que somos felizes sem comprar o último modelo de televisor de "x" polegadas para assistir à Copa do Mundo.
Um dia, a gente para de brigar com nossos maridos ou mulheres, namorados ou namoradas, por coisas menores como "quem vai lavar a louça esta noite".
Um dia, a gente entende porque Platão disse de Sócrates (o filósofo grego, não o jogador de futebol) que, "ao ir para a prisão, o mundo lá fora é que estava preso - ele, em sua, cela estava livre".
Um dia, a gente percebe que Sócrates, em sua cela, não se sentia livre, apenas. Ele ERA livre.
E isso faz toda diferença.
Terra Magazine