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Bandnews/Reprodução
EUA: paraísos fiscais causam buraco de U$ 240 bi anuais no governo, afirma Drummond
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Carlos Drummond
De Campinas (SP)
O sistema financeiro mundial enfraquecido é a principal indicação de que o fôlego do aquecimento econômico observado nas últimas semanas em alguns mercados deverá ser curto. Movida a dinheiro público injetado pelos tesouros e bancos centrais nas economias nacionais, a reanimação não é acompanhada de indícios de que terá continuidade. Esta depende, em primeiro lugar, da franca atividade da rede de difusão de capitais formada pelo conjunto de instituições financeiras dos diversos países. Algumas das principais instituições financeiras do mundo ainda não se reergueram. A liquidez dos ativos tóxicos é incerta ou inexistente e os cálculos mais otimistas estimam que apenas um quarto deles foi eliminado. A elaboração de novos marcos regulatórios que permitam uma reconstrução sólida do sistema financeiro registra alguns avanços, mas a sua repercussão é quase nula.
Pessoas físicas ou jurídicas beneficiadas até a explosão do esquema de consumismo, desregulamentação e trapaça financeira dominante nos últimos anos sonham com a restauração dos seus privilégios e, portanto, do esquema que os assegurou. Essa reconversão seria um risco imediato, e há quem considere factível a reconstrução pura e simples do sistema financeiro que havia antes.
Entretanto, é preciso levar em conta a profundidade do abalo. Além de quase destruir o sistema financeiro, a crise impõe reformulações produtivas profundas em diversos setores. As decorrências do colapso lançam também uma interrogação sobre o futuro das trocas financeiro-comerciais entre as principais potências econômicas. Nesse contexto, imaginar uma situação em que as instituições simplesmente continuem a fazer o mesmo que antes pode ser mais inglório do que sonhar com um sistema em que bancos voltem a financiar a produção e o desenvolvimento. No momento, porém, esta última perspectiva não passa de um desejo.
O esquema de poder anterior, embora combalido, não está morto. Gestos de alguns países e a reação - ou a falta de reação - subsequentes dão uma medida das dificuldades de se alterar a atual correlação de forças. Estados Unidos, Inglaterra e Brasil defenderam o fim dos paraísos fiscais, antros de sonegação que provocam, só nos EUA, um buraco de 240 bilhões anuais na receita do governo, além de constituirem incubadoras de instituições como os hedge-funds, personagens centrais da crise subprime. A fúria com que as principais multinacionais reagiram às ameaças dirigidas aos paraísos fiscais dá uma medida das dificuldades de se por em prática o projeto. Outra proposta de difícil concretização, lançada pelos governos da China e do Brasil, é a de desbancar o dólar, enfraquecido mas ainda soberano, da posição de moeda de troca internacional.
É nesse cenário que se deve avaliar as possibilidades de concretização das recomendações da comissão da ONU de especialistas em reformas do sistema monetário e financeiro internacional, coordenada pelo economista Joseph Stiglitz. O grupo propôs o estabelecimento de um Conselho Mundial de Coordenação Econômica e apontou a urgência de se criar autoridades globais para regulamentação do sistema financeiro e da concorrência. Também identificou a necessidade de se encontrar maneiras mais eficazes de lidar com as insolvências de países e de administrar os riscos específicos das nações em desenvolvimento, em especial no que se refere à gestão do endividamento e da conta de capitais. A quase inexistência de repercussão a essas proposições permite supor, no momento, que o mar encapelado da crise mundial está longe de se acalmar.
Fale com Carlos Drummond: carlos_drummond@terra.com.br
Terra Magazine
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