Atualizada às 17h29 |
Cristiano Mascaro/Reprodução
Acho chato quando a fotografia se esforça para se assemelhar a uma pintura, diz Mascaro
|
Marcela Rocha
Cristiano Mascaro é arquiteto de formação, mas na prática, é mesmo um poeta. Das imagens. Ele é o mais importante fotógrafo da urbe e da arquitetura da capital paulista. De maneira muito particular enxerga a fotografia e a poesia como semelhantes, "não iguais".
A Terra Magazine, o fotógrafo explica que poesia e fotografia, como produto final, têm muita coisa em comum, no que diz respeito à surpresa que elas provocam: "Ambas, com linguagens diferentes, conseguem enfatizar e priorizar elementos da realidade e, assim, surpreender", avalia.
O que as diferencia, na visão de Mascaro, é o processo criativo. "A poesia é gerada a partir de uma reflexão", ressalta e conta que há pouco tempo esteve com Lygia Fagundes Telles: "ela falava da dificuldade em encontrar as palavras: 'tem que arrancá-las pelos cabelos'".
Já a fotografia, segundo Mascaro, "é pura intuição, pelo menos a fotografia que eu faço, gosto e admiro. Fotografia de intuição e busca". Seu trabalho é resultado de um momento, "um assombro". Como exemplo, cita a máxima popular às avessas: Quando você procura, você não acha. E revela que diversas vezes programou um lugar pra fotografar e "parei no meio do caminho" para fotografar outras coisas...
Para Mascaro, a fotografia digital e as possibilidades de "consertar as imagens" é bom para o mercado e curadores. "Acho tão chato quando a fotografia se esforça para se assemelhar a uma pintura", enfatiza. Quando se tem muitos recursos à mão, explica o fotógrafo, "acaba chegando todo mundo no mesmo lugar".
- Photoshop, câmera digital... O interessante da fotografia são, justamente, as limitações. Tanto a poesia quanto a fotografia analógica perderam espaço com as novas tecnologias. A fotografia é um trabalho utilitário, também. A poesia não. Jamais alguém vai encomendar um jingle para o Chico Buarque, por exemplo.
Cristiano Mascaro irá discutir POESIA E FOTOGRAFIA nesta sexta-feira, às 20h, na Casa das Rosas, junto a Titouan Lamazou e Virna Teixeira. O propósito é debater a expressão de imagens fotográficas, analisar e treinar a construção do poema a partir da observação destas imagens.
No dia seguinte, sábado, 23, haverá uma oficina com Virna Teixeira e domingo, um recital com resultado da produção da oficina. Virna é neurologista "nas horas vagas" e poetisa integral. É também tradutora. Nasceu em Fortaleza e mora em São Paulo há vários anos. Tem dois livros publicados pela 7Letras, Visita (2000) e Distância (2005). Colabora com várias revistas de poesia e periódicos.
» Uma breve história da Coca-cola (3ª parte, final)
» OAB-BA vai mover ação contra internauta que sugeriu "dinamitar" Bahia