
Roberto de Sousa Causo
De São Paulo
Star Trek (Star Trek). Dirigido por J. J. Abrams. EUA/Alemanha, 2009. Paramount, 127 min. Escrito por Roberto Orci & Alex Kurtzman. Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, Anton Yelchin, John Cho, Eric Bana e Bruce Greenwood.
Quando fiz aqui a resenha do filme Hellboy 2: O Exército Dourado, que um filme muito dependente de um artista conceitual - no caso, um ilustrador de ficção científica - deveria dar um jeito de enfatizar o crédito desse artista.
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O mesmo se dá com Star Trek, a produção de J. J. Abrams que revisita as situações da série clássica Jornada nas Estrelas, criada em 1966 por Gene Roddenberry. O artista em questão é Stephan Martiniere ( http://www.martiniere.com/home.htm), um dos ilustradores capistas da ficção científica que tem dado a cara da new space opera (com o veterano artista inglês Chris Moore). Bem, Jornada nas Estrelas sempre foi uma space opera, e logo se vê que pela adoção de Martiniere como a principal fonte do visual do filme, que ele realiza uma atualização da criação de Roddenberry como parte desse subgênero da ficção científica.
A arte de Martiniere é digital, mas se percebe a mão do artista em cada ilustração. Ela empresta algo de John Berkey (que só usou o pincel a vida toda) e dos artistas ingleses como Chris Foss, para criar uma arte rica em planos, estruturas tecnológicas, brilhos e texturas, com um pendor para um gigantismo que torna humilde a presença humana. Há uma qualidade hard nas suas criações, mas também atmosferas românticas e calorosas.
Eu andei me correspondendo com Martiniere, e de repente ele deixou de responder meus e-mails. Bastou uma olhada no trailer de Star Trek, para saber que ele andava ocupado com a pré-produção do filme. Não obstante, seu nome não aparece nos créditos... Portanto, pode levar com um pé atrás a minha afirmativa da importância desse ilustrador, na produção do filme.
O filme abre com o pai de James T. Kirk, ele também capitão de uma nave da Frota Estelar, sofrendo uma emboscada de uma enorme e disforme nave espacial. A mãe de Kirk escapa para dá-lo à luz - e presentear o mundo com mais um encrenqueiro. Ou ao menos é o que dá a entender a princípio, até que, atendendo a um apelo do Capitão Pyke (interpretado pelo ótimo ator canadense Bruce Greenwood), Kirk deixa a vida de bad boy (ou quase) para ingressar na Academia da Frota Estelar.
O que se desenrola a partir daí é um enredo intrincado, repleto de momentos eletrizantes ou cômicos, paradoxos temporais e universos paralelos, batalhas espaciais e planetas sendo destruídos por atacado. A visualização de Martiniere sustenta isso tudo, juntamente com a interpretação de um grande time de jovens atores: Chris Pine como Kirk, Zachary Quinto como Spock, Karl Urban como o Dr. McCoy, Zoe Saldana como a Tenente Uhura (e o ponto fraco do elenco), Simon Pegg como um Engenheiro Scott com menos cabelo que o seu antecessor, Anton Yelchin como Tchekov e John Cho como Sulu. Muito se falou de como cada um deles - especialmente Karl Urban - caracterizou seus personagens em cima da dos protagonistas da série clássica, mas muito disso acontece pelo exagero de certas características que todo fã da série conhece. Assim, embora Pine não se pareça muito com William Shatner (o primeiro Capitão Kirk), a sua exagerada atitude "galinha" (ele é mais jovem e menos discreto do que o Kirk maduro que conhecemos) e a qualidade incisiva das suas ações o faz encaixar perfeitamente naquele slot mental que temos reservado ao personagem. Algo semelhante se dá com o Spock de Quinto, que tem uma voz muito mais macia do que a de Leonard Nimoy.
O primeiro ator a interpretar o personagem aparece no filme, e foi bom revê-lo, apesar da sua evidente fragilidade física.
A oposição aos heróis, neste filme, é composta de renegados romulanos em uma missão de vingança contra a Frota Estelar, liderados por Nero (Eric Bana), um vilão reciclado de outros vilões trágicos da série.
Star Trek traz aquela quota de problemas científicos que podemos esperar da space opera no cinema: a enorme simplificação visual do buraco negro como portal; a luta em uma plataforma suspensa tão alto na atmosfera que os ventos impediriam que qualquer pessoa conseguisse se levantar - e assim por diante.
Mas o filme encanta pelo visual e pela vibração dos personagens, e deve render dirimir as dúvidas da produtora quanto ao projeto de seqüências e extensões. Star Trek renasce como a versão 2.0, e certamente devemos ver um segundo filme em breve.
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Terra Magazine
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Reproducción
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