Atualizada às 09h38 Claudio Leal
Em São Paulo, território do oponente de queda-de-braço José Serra, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), esboçou ontem à noite uma das teses que deve marcar sua pré-campanha à Presidência da República: "refundar a federação". No fórum 3º Coffee Dinner, organizado pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil, na Sala São Paulo, o político mineiro encontrou uma acústica perfeita para criticar o fortalecimento da União, em detrimento dos Estados e dos municípios.
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Homenageado da noite, saudado pela plutocracia paulista como "empreendedor do café", Aécio brincou: "Minas é o segundo País maior produtor de café do mundo". Depois do discurso, o governador pontuou a Terra Magazine o significado da sua proposta de "refundar" a república federativa.
- Refundar a federação começa por redefinir responsabilidades e atribuições dos municípios e dos Estados. Por exemplo, nós temos a questão de rodovias, uma questão fundamental hoje. Essa figura de rodovias federais é uma excrescência, só existe no Brasil, não existe em nenhum outro país do mundo - contesta Aécio Neves.
O líder mineiro defende a ideia de estadualizar as rodovias, "com os recursos transferidos para que os Estados possam fazer, seja o processo de concepção da parceria público-privada ou mesmo o processo de conservação direta". Estima como necessária a redistribuição do "bolo tributário".
- Nós temos que reencontrar o eixo de funcionamento das instituições brasileiras, onde essa concentração absurda tenha um fim. Eu governo hoje o Estado com o maior número de municípios do País: 853. Metade deles chega ao final do ano sem ter condições de pagar a folha salarial. Nós temos que redefinir as relações de responsabilidade e, obviamente, uma distribuição mais adequada do bolo tributário.
O governador de Minas Gerais comentou ainda a proposta do voto em lista partidária, que emergiu no debate da reforma política, no Congresso. Por essa regra, o eleitor votaria numa lista fechada, definida pelos partidos. Aécio Neves se declara a favor da reforma, embora admita que ela não é consensual no PSDB:
- Eu acho um aprimoramento. É uma questão que, no meu partido, não é consensual, tem divergências. Mas, na visão pessoal, sou favorável tanto à lista quanto ao financiamento público de campanha. Nas eleições nos partidos, vai ter um processo de aprimoramento contínuo. Não resolve de um dia pro outro, mas aprimora o processo eleitoral com o tempo. Obriga a colocar nomes de maior representatividade - diz Aécio a Terra Magazine.
O pré-candidato tucano, que nega qualquer acordo para ser vice de José Serra em 2010, minimizou a possibilidade de um terceiro mandato do presidente Lula (PT). "Ele não mancharia sua biografia com uma proposta dessa", declarou Aécio aos jornalistas postados na entrada da Estação Júlio Prestes, antes de arrematar: "acho que não existe mais tempo hábil para aprovação."
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José Cruz/Agência Brasil
O governador Aécio Neves (PSDB) acredita que o voto em lista partidária pode trazer um "aprimoramento" eleitoral
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