
Carlos Drummond
De Campinas (SP)
A proposta da União Européia de regulação dos hedge funds, vilões da crise suprime, e as críticas do presidente Barak Obama à negativa dessas entidades de cooperar com a reestruturação da Chrysler, na qual têm participação, provocaram lamentos e ameaças no setor financeiro, na mídia e em escritórios de advocacia especializados em instituições financeiras. As armas de destruição em massa, nome cunhado pelo megaempresário Warren Buffet para designar os hedge funds, voltaram a funcionar, não para abalar a economia mundial, mas em defesa própria.
Reunidos em Nova Iorque, administradores desses fundos afirmaram que as críticas de Obama poderiam ser um tiro pela culatra e prolongar a crise. A proposta deles é a de sempre: deixar solta a fera mercado para que as coisas se ajeitem por si, sem disciplinamento do Estado. A mídia internacional endossou as preocupações do encontro de Nova Iorque, dando voz a advogados que tem hedge funds entre seus clientes e que se disseram preocupados com a extensão de uma maior regulação ao conjunto das instituições financeiras.
As exigências de capital, transparência e taxas da proposta européia afeta a maior parte dos hedge funds, que operam sem regra alguma a partir de paraísos fiscais como as ilhas Cayman, seu reduto predileto. Eles seriam obrigados a se transferir para a Europa e a se submeter à fiscalização, ao fisco e ao olhar do público, dentro das regras em estudo. Nos paraísos fiscais, fundos podem movimentar bilhões sem pagar impostos sobre os lucros e a salvo de bancos centrais e organismos de supervisão do mercado.
Cayman e outros paraísos fiscais maximizam a liberdade concedida aos fundos, por exemplo nos Estados Unidos. Os hedge funds americanos não são obrigados a revelar os nomes dos investidores, as estratégias de investimento, os pontos fortes e os pontos fracos das suas posições e a relação entre o capital próprio e o volume total de recursos comprometido nas suas operações.
O que os administradores de hedge funds reivindicam, portanto, é a perpetuação de um negócio inteiramente privado regulado pela moralidade privada. Como clube exclusivo, querem continuar inteiramente descolados do mundo social - a não ser na hora de socorrer os atingidos pelas suas peripécias financeiras.
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