Atualizada às 10h36 |
Raphael Falavigna/Terra
Aloizio Mercadante compara: "Assim como Roosevelt usou o rádio, Obama soube usar a internet"
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Thais Bilenky
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) é considerado na bancada do PT um dos parlamentares mais antenados na internet. Autor do projeto de lei que determina a instalação de computadores com banda larga em todos as escolas públicas de educação básica e superior até 2013, Mercadante arrisca:
- A internet é um processo histórico que vai promover grandes mudanças na democracia e na cidadania.
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O senador lançou nesta segunda-feira, 1º de junho, seu novo portal na internet, www.mercadante.com.br . E conta:
- Tem o Orkut, o Facebook, o Ning, o Flickr, o Slide Share, RSS. Tem a TV Mercadante, a Rádio AM - Rádio Aloizio Mercadante, com os pronunciamentos que eu faço.
Para quem acredita que "o mundo vai estar cada vez mais dividido entre analógicos e digitais", como afirma Mercadante, já se sabe em qual metade o petista quer se posicionar.
Leia a entrevista na íntegra com o senador Aloizio Mercadante.
Terra Magazine - O senhor acredita que o twitter pode servir como fonte de informação, mas também como escape para o político fugir de entrevistas?
Aloizio Mercadante - Acho que a internet é um processo histórico que vai promover grandes mudanças na democracia e na cidadania. Não só porque é o espaço da liberdade de informação, de relacionamento horizontal entre as pessoas, como permite a interatividade. A democracia originalmente se dava na praça pública na Grécia. Ali é que você discutia, debatia os grande temas. A praça pública do século 21 é a internet. Então, essa nova plataforma de comunicação que estou lançando no www.mercadante.com.br traz uma série de mecanismos de relações das redes sociais. Tem o Orkut, que é a mais difundida no Brasil onde as pessoas podem participar e debater, tem o Facebook, que nos Estados Unidos é a mais utilizada, no Brasil ainda não, tem Ning, que é uma rede similar ao Orkut, novidade no Brasil ainda pouco utilizada no Brasil, o Flickr, que é galeria de fotos, tem o Slide Share, que são compartilhamentos de documentos, palestras - as transparências que eu apresento nas minhas palestras estarão todas lá expostas. Tem o RSS, que também é uma ferramenta nova para acompanhamento de conteúdo do site através de envios do email, de celular ou navegador de internet. Tem a TV Mercadante onde os principais programas estão lá, a Rádio AM - Rádio Aloizio Mercadante, com os pronunciamentos que eu faço. Então eu já tinha certa visitação, certo interesse. Estou avançando mais, multiplicando essas relações, diversificando. Você também recebe críticas, sugestões.
Tem tido retorno?
Eu recebo mais ou menos mil e-mails por dia. É difícil processar tudo. Tenho que selecionar e responder às vezes com certo atraso. Acho que cada vez aumenta o número de emails. Estes mecanismos como Orkut e Facebook agilizam. Muita gente pede para eu mandar (discursos em ) palestras. Já estarão disponíveis no site, no dia seguinte. Com isso, a gente agiliza a troca de informações, melhora a qualidade do mandato e cria uma relação interativa que é muito importante para a democracia.
Muitos políticos estão aderindo aos meios de comunicação online. De modo geral, o senhor avalia que eles podem se tornar um instrumento esvaziado, e os assessores de imprensa acabarem ocupando mais o espaço que o político?
Depende do mandato. Quem utilizou pela primeira vez na história com grande ênfase, já vem fazendo esforço a muitos anos nesse sentido, foi o (presidente dos EUA, Barack) Obama. Ele revolucionou a internet numa campanha eleitoral. Ele lançou o candidato à vice-presidência dele pelo twitter. Ele tinha 150 mil pessoas acompanhando ele, hora a hora. Teve 92 milhões de acessos no portal dele. Então, ele usou, investiu e teve um retorno político. Um homem que tinha sido eleito deputado federal em 2001, depois se elege senador, derrota Hillary Clinton, derrota (John) McCain e se elege o presidente da maior economia do mundo. Assim como o Roosevelt (Franklin Delano Roosevelt, Presidente dos EUA entre 1933 e 1945) usou o rádio, ele soube usar a internet. E mostra uma mudança de atitude na democracia. Eu acho que este instrumento é muito importante. Já temos 57 milhões de usuários no Brasil. Eu fiz um projeto, que já aprovei por unanimidade no Senado e na Comissão Especial da Câmara, falta só o plenário da Câmara, que é um projeto que prevê colocar banda larga em todas as escolas públicas do Brasil. 49 milhões de alunos, com um computador na frente de cada aluno, um endereço eletrônico para cada aluno, produção de material didático, treinamento de professores. Usando o recurso do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que é um fundo criado exatamente para patrocinar inclusão digital, e que tem sido contingenciado desde a época em que foi criado no governo anterior. Então é uma luta que venho fazendo porque acho que a revolução na educação vai vim pela internet, a sociedade do conhecimento, da informação... A sociedade moderna é a internet. E a política, a democracia vão passar cada vez mais pela internet.
Entre os brasileiros, ainda há resistência para se entender o funcionamento da internet. Políticos podem até sentir a necessidade de responder a uma demanda do eleitorado, mas na prática não tem na veia a iniciativa de criar um twitter, postar, dar eles mesmos uma informação. Como não banalizar essas ferramentas?
Acho que o mundo vai estar cada vez mais dividido entre analógicos e digitais. Uma mudança importante cultural, histórica. A nova geração vai ser cada vez mais uma geração digital. As pessoas conversam pelo skype, marcam encontros pela internet, se comunicam permanentemente, não mais por cartas, como era antes, mas por e-mail. Qualquer pesquisa, qualquer informação, entra no Google e tem acesso imediatamente. Novos celulares já têm acesso direto à internet. Te informam cada vez mais em tempo real, por podcast, pelos grandes portais - o Terra presta um serviço muito importante nesse sentido. Estamos assistindo a uma revolução da informação. Tem gente que vai ficar para trás. Tem gente que não vai entender. Para a minha geração, é muito mais difícil usar estes instrumentos do que para a nova geração. Eu vejo meus filhos, eles estão totalmente identificados. Faziam prova na universidade pela internet, mandavam o trabalho para o professor pela internet, recebiam a avaliação, comunicavam-se com os alunos, mobilizavam... Estão totalmente digitalizados. Na minha geração é mais difícil você ter a mesma facilidade, mas é indispensável. Mas é um processo que a história vai abafar. Quem imaginava que a política não ia passar pelo rádio, Roosevelt começou, depois todo mundo foi atrás. Ou que as campanhas não passariam pela televisão. Estamos vivendo uma revolução da informação que é a internet, que é este espaço cibernético fantástico, onde todas as inteligências do planeta e as relações mais dinâmicas estão se colocando. A democracia tem que acompanhar a velocidade da informação, então eu estou me preparando para isso, para essa forma de comunicação digital mais moderna, mais ágil, mais bonita, mais atrativa, e fomentando, estimulando este caminho.
O senhor está confortável?
Estou, estou muito feliz de ter feito. Há muito tempo venho batalhando por isso. Usei TV Digital ao vivo no passado, a uns três anos atrás, já estava com o twitter no ar há algum tempo, estou vendo outras lideranças fazerem o mesmo. Estou muito satisfeito, para mim é um prazer imenso fazer essa mudança de paradigma histórico.
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