Eduardo Tessler
De Porto Alegre (RS)
Nem Dilma, nem Serra. Muito menos Ciro ou Garotinho. O melhor candidato para suceder Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2011 é o baixinho e gordinho Joseph "Sepp" Blatter.
Verdade que ele é suíço, mora na Suíça e não fala bem português. Também é verdade que ele pouco conhece o Brasil, não diferencia Rio Grande do Sul do Rio Grande do Norte, acha que Pernambuco e Paraná é a mesma coisa e não sabe o que é uma jaca. Mas quem se importa? Afinal ele já provou caipirinha e admira dois grandes produtos de exportação do Brasil: futebol e mulher.
Blatter é o presidente da Fifa há 11 anos. Como comandante da associação mundial de futebol, ele já conheceu mais de 100 países dos pouco mais de 200 filiados à entidade. Logo, não precisará gastar tempo e querosene de aviação para viver viajando, como FHC e Lula. Ele prefere a tribuna do Maracanã ou a orla de Ipanema.
O grande trunfo de Blatter é sua varinha mágica. Foi só ele abrir um pequeno pedaço de papel com o nome Brasil, quando se discutia onde seria a Copa do Mundo de 2014, que começou a aparecer dinheiro por todos os lados. O Brasil era candidato único, mas isso é detalhe. Agora a varinha de Blatter definiu as 12 cidades-sede do Mundial e misteriosamente mais dinheiro sugiu no horizonte, de Cuiabá a Manaus. Se a Bahia acaba de reformar o estádio de Pituaçu, reinaugurado neste ano, não importa: chuva de dinheiro em Salvador para erguer um novo estádio, a Fonte Nova, cuja estrutura original ruiu.
O poder de Blatter é tão grande que de repente apareceram verbas para arrumar o trânsito de São Paulo, aumentar a pista do aeroporto de Porto Alegre, reformar o Maracanã, levantar hotéis em Belo Horizonte. Com a habilidade de modernizar 12 capitais simultaneamente e em tempo recorde, Sepp Blatter precisa ser reconhecido pelo povo brasileiro. Jamais um presidente fez tanto para o seu país. Obama estava errado: Blatter é o cara!
A imprensa inglesa diz que Blatter é corrupto, que enriqueceu às custas da Fifa e que só foi eleito por ter comprado votos de federações importantíssimas como Trinidad & Tobago. E daí? Seria o primeiro corrupto no Planalto, por acaso?
Blatter poderia ser escolhido não por um partido apenas, mas por todos. O candidato da unanimidade. Assim o Brasil não gastaria dinheiro com campanha eleitoral. Mais que isso, na Fifa permite-se quantas reeleições o presidente quiser. Com 73 anos, Blatter teria condições de cumprir uns 5 mandatos, tempo suficiente para descobrir que no Brasil não se fala espanhol.
Hábil na manipulação de regras, Sepp Blatter daria de brinde ainda aos amigos brasileiros a sede permanente da Copa do Mundo. Um decreto institucionalizaria o Brasil como país do futebol e local de todas os Mundiais.
E se estiver de bem com a vida, pode até, em um canetaço, vetar a participação da Argentina.
Blatter é o cara! Blatter para presidente!