
Vera Gonçalves de Araújo
De Roma
Domingo 21 de junho vai se votar novamente na Itália: várias cidades vão fazer o segundo turno para escolher seus prefeitos, e 50 milhões de eleitores - em tese - deverão decidir num referendo se modificar ou não a lei eleitoral.
O problema político do referendo é o quórum. Mesmo se todos os cidadãos que comparecerem às urnas votarem "sim" à mudança da lei eleitoral, não adianta nada se o número dos votantes não superar 50 por cento dos eleitores.
A Liga do Norte, que quer manter a sua posição privilegiada na coligação que governa o país - garantia que deriva da velha lei, e que é um dos trunfos que utiliza quando negocia com Berlusconi - aposta na abstenção e obrigou Berlusconi a renunciar à campanha eleitoral. O chefe do governo, diante do grande sucesso eleitoral da Liga no voto europeu de 6 e 7 de junho passados, aceitou de má vontade, mas anunciou que vai votar "sim".
Gianfranco Fini, presidente da Câmara e líder do Povo das Liberdades (o partido direitista criado por Berlusconi) declarou que vai votar "sim". E como também o Partido Democrata, principal organização da oposição, oficialmente é a favor do "sim", em tese, existe a possibilidade de alcançar o quórum e mudar a lei eleitoral.
Mas na verdade o PD está rachado, porque a vitória do "sim" pode fortalecer Berlusconi (o seu PdL ganharia um "prêmio de maioria" e nem precisaria de aliados como a Liga do Norte para governar). Quem vive como um pesadelo a eternidade do governo Berlusconi pode decidir ficar em casa ou ir à praia, enquanto uma parte do PD vai votar, esperando que a vitória do "sim" provoque uma crise no governo de direita.
O problema é que a campanha eleitoral praticamente não houve. Ninguém sabe direito quais são as três perguntas que esperam um "sim" ou um "não": a instituição do "prêmio de maioria" para a lista mais votada na Câmara, o mesmo prêmio para o senado, e a revogação das candidaturas múltiplas.
Os promotores do referendo tinham como objetivo a simplificação do cenário político, com o incentivo a votar em dois grandes partidos, eliminando os nanicos. Mas não conseguiram inserir entre as perguntas um dos aspectos mais escandalosos da lei eleitoral italiana, a norma que não permite aos eleitores dar voto de preferência a um candidato. Os parlamentares são escalados pelos líderes dos partidos, e o cidadão só pode botar um X no símbolo do partido que escolheu. Até o paredão do Big Brother é mais democrático.
LINKS
O referendo explicado no site da Embaixada italiana em Brasília:
http://www.ambbrasilia.esteri.it/
Ambasciata_Brasilia/Archivio_News/NEWS+REFERENDUM+ISTRUZIONI.htm
Fale com Vera G. de Araújo: veragdearaujo@terra.com.br
Terra Magazine
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Reuters
Gianfranco Fini, presidente da Câmara e líder do Povo das Liberdades, declarou que vai votar "sim"
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