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Quinta, 25 de junho de 2009, 14h45 Atualizada às 14h54

José Nery: Sarney "repetiu" corrupções no Senado

José Cruz/Agência Brasil
Para instaurar a CPI das Máfias do Senado, Nery precisa de 27 assinaturas. Por enquanto, tem duas.
Para instaurar a CPI das Máfias do Senado, Nery precisa de 27 assinaturas. Por enquanto, tem duas.

Marcela Rocha

Após a divulgação dos atos secretos do Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-MA) propõe um pacote de medidas moralizadoras. Não satisfeitos com as resoluções apresentadas, senadores pedem investigações de fato sobre o antigo diretor geral Agaciel Maia, que comandou o esquema dos atos secretos nos últimos 14 anos.

O PSOL pretende apresentar uma representação contra o presidente. Contudo, "este não é o melhor momento", afirma o senador José Nery (PSOL-PA), que concentra suas forças em coletar assinaturas para instaurar a "CPI das Máfias do Senado".

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A Terra Magazine, revela que, nos bastidores da Casa existe um clima de "muita apreensão e de indignação". Afirma também que Sarney "não foi capaz de liderar um processo de mudanças". E aposta:

- Mais dia, menos dia, a presença de Sarney na presidência se tornará insustentável. (...) O discurso de Sarney não corresponde com a prática. É o anúncio da moralidade rodeado de ilegalidades, ilicitudes e de crimes por todos os lados - diz.

Sobre a desordem provocada pelos atos secretos, Nery acusa, com "absoluta certeza", os diretores da Casa de terem envolvido senadores que sequer sabiam de seu envolvimento direto com aqueles atos. E acrescenta que "podem ter pensado em criar um esquema que colocasse todos na vala comum. Assim, ninguém teria como investigar ninguém".

A decisão pela nova diretoria foi atribuída pelo presidente ao primeiro secretário Heráclito Fortes do Democrata, partido que tem a segunda maior bancada do Senado, perdendo só para o PMDB. Para Nery, "é uma clara tentativa de Sarney de se blindar":

- Ao renunciar a tarefa de indicar o diretor geral e delegar isto a outro partido, é o mais claro enfraquecimento de sua autoridade na condução da gestão e uma tentativa de blindagem que pode não dar muito certo porque fatos novos aparecem todos os dias contra ele.

Leia a entrevista na íntegra:

Terra Magazine - Por que instalar uma CPI? Em vista do que é a CPI da Petrobras, que não foi instaurada, o que é mais importante, a que pretende investigar a estatal ou uma CPI que investigue o próprio Senado?
José Nery -
A CPI é o único instrumento que possibilitará uma investigação profunda que possa dar conta de identificar todos os crimes do diretor do Senado ou de qualquer outro membro. Ela poderá quebrar o sigilo fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos. Com isto, podemos mapear toda a cadeia de influência e crimes cometidos na Casa. Temos que nos debruçar sobre todas essas mazelas e a CPI é a possibilidade de fazermos essa faxina que o Senado tanto precisa. Só assim poderemos retomar a normalidade sem ter que, a todo dia, ficar respondendo às novas denúncias que chegam. Essas denúncias colocam em xeque até a democracia representativa.

Mas o presidente José Sarney já assumiu a Casa com a proposta de moralização...
Não é apenas contraditório como é a própria manifestação da incoerência. O quadro que vivemos aqui é de constante convivência com ilegalidades cometidas por alguns e omitidas à população. Alguns senadores tiveram seus nomes envolvidos nos atos secretos e eu tenho absoluta certeza que muitos sequer sabiam de seu envolvimento direto com aqueles atos. Isto foi tramado pelos diretores, que podem ter pensado em criar um esquema que colocasse todos na vala comum. Assim, ninguém teria como investigar ninguém. Quando houve a divulgação dos 37 nomes, creio que tinha um endereço certo: fazer com que ninguém se sentisse à vontade para fazer as investigações de forma mais profunda.

Está dando certo?
Creio que pode ter dado errado. Ao envolver indevidamente naquela lista senadores que não têm compromisso com a bandalheira, isto pode resultar numa atitude. Numa vontade de investigar. O discurso de Sarney não corresponde com a prática. É o anúncio da moralidade rodeado de ilegalidades, ilicitudes e de crimes por todos os lados.

Considera uma manobra de Sarney, ter entregado à primeira secretaria a responsabilidade pela troca do diretor geral, Heráclito Fortes (DEM-PI)?
Nos parece uma tentativa clara de Sarney de se blindar. Ao renunciar a tarefa de indicar o diretor geral e delegar isto a outro partido, é o mais claro enfraquecimento de sua autoridade na condução da gestão e uma tentativa de blindagem que pode não dar muito certo porque fatos novos aparecem todos os dias contra ele.

Pós eleição de Sarney, como o senhor avalia a Casa, que muitas vezes era tida como sóbria, distante dos últimos escândalos. Existe alguma insatisfação por conta das eleições de Sarney?
Existe um clima de muita apreensão e de indignação por parte de outros. Mais dia, menos dia, a presença de Sarney na presidência se tornará insustentável. Ele não foi capaz de liderar um processo de mudanças. Pelo contrário. A repetição das corrupções, tráfico de influências e nepotismo negam a moralidade das instituições públicas.

O PSOL vai entrar com uma representação?
Estudamos essa possibilidade, porém vamos verificar qual é o momento ideal de apresentarmos no Conselho de ética. No momento, nosso esforço está concentrado na coleta de assinaturas para instaurarmos a 'CPI das Máfias do Senado'.

Quantas assinaturas o senhor já coletou?
Por enquanto duas.

 

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