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Sexta, 26 de junho de 2009, 08h10

O G-8 e o terremoto

Vera Gonçalves de Araújo
De Roma

Nos dias em que o país parece mergulhado no mais esquisito escândalo sexual e político que já ocorreu na Europa, os correspondentes estrangeiros - até para se distrair do delírio de pouca vergonha que invadiu os palácios romanos - compareceram todos à entrevista coletiva de Guido Bertolaso, chefe da Proteção Civil italiana, que ilustrou oficialmente os preparativos para o G-8 que se fará de 8 a 10 de julho em Aquila.

Será um G-8 baratinho, que vai custar "só" 50 milhões de euros (para a sede anterior, a Sardenha, estavam previstos 320 milhões). Nada de hotéis cinco estrelas, comida simples e local, único luxo: um campo de basquete para o Obama.

Bertolaso é otimista, e conta que todo mundo está trabalhando com afinco para organizar o summit mundial, 76 dias depois do terremoto que devastou a cidade. Mas há um elemento que nem o chefe da proteção civil pode garantir e prever: a terra. Os tremores continuam, na noite da segunda-feira passada aqui em Roma deu para perceber o mini-sismo (mini para quem está acostumado, não para mim) de 4,6 graus Richter que voltou a sacudir a cidade destruida.

E se a terra voltar a tremer enquanto todo o clube dos 29 países mais poderosos do mundo estiverem reunidos no Abruzzi? Bertolaso tranquiliza: "só se houver um terremoto sem precedentes, que nunca aconteceu". Garante que o quartel de Coppito onde serão hospedados os chefões - inclusive o Obama - vai resistir a qualquer magnitude.

Dizem que já foi preparado um plano de emergência para evacuar os poderosos em caso de sacudidas violentas. Mesmo porque - depois do sismo da noite de segunda-feira, vários oficiais preferiram dormir em seus carros.

Os correspondentes reunidos para ouvir Bertolaso não têm dúvidas. Muito melhor dormir nos automóveis ou ao ar livre durante os três dias de reunião. Quer dizer, além dos 22.800 habitantes de Aquila que vivem nas tendas azuis dos acampamentos, e dos outros 30 mil espalhados nos hotéis do litoral do Abruzzi, das comitivas de 29 chefes de estado e de governo, da polícia, do exército e dos serviços secretos, nas ruas de Aquila estarão dois mil jornalistas mal dormidos, à procura de um café e de uma conexão wi-fi para mandar suas matérias.

Enquanto o pessoal combinava encontros em Aquila nos dias do G-8, me lembrei daquele diálogo fantástico entre o corcunda Igor e o doutor Frankenstein no filme de Mel Brooks "O jovem Frankenstein": quando o doutor reclama porque tem que levantar um pesado caixão da cova, e o corcunda retruca que não era tão ruim assim, poderia ser pior, poderia estar chovendo. Frase seguida por trovões e por uma chuvarada danada.

Vera Gonçalves de Araújo jornalista, nasceu no Rio, vive em Roma e trabalha para jornais brasileiros e italianos.


Fale com Vera G. de Araújo: veragdearaujo@terra.com.br

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A Itália de Silvio Berlusconi, imersa num escândalo sexual, vai receber os líderes do G8 em Áquila

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