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Quinta, 25 de junho de 2009, 21h01 Atualizada às 21h18

Chico César: Michael Jackson foi máquina de ilusão

Claudio Leal

O compositor Chico César não sabia que estava "tão ligado afetivamente" a Michael Jackson. Em conversa com Terra Magazine, ele avalia que o ídolo pop, morto hoje aos 50 anos, "emprestou sua vida a uma máquina de ilusão".

- Emocionalmente, fico muito triste, muito abalado. Fico triste porque tenho a impressão de que ele viveu infeliz nos últimos anos. Acho ruim pra ele não ter sido da Igreja Católica, ele não teve esse respaldo.

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Chico César, atualmente secretário de Cultura de João Pessoa (PB), avalia que o fato de Michael Jackson "ser negro, um negro bem sucedido, o desfavoreceu". E prossegue a análise de uma das estrelas mais fulgurantes do mundo pop (e do século 20):

- Houve uma vigilância grande contra ele. Nunca concordei com molestamento de criança, não sei se ele molestou. Ele não teve Igreja Católica pra defendê-lo. Mas, além dessa questão racial, fica esse vazio. Foi um artista que emprestou sua vida a uma máquina de ilusão, desde pequeno, no Jackson Five.

O músico paraibano convida: "Agora é hora de celebrar o artista que mudou nosso tempo, visitar sua obra, dançar, nos alegrarmos com os discos produzidos por ele. Qualquer pessoa, de qualquer bairro do mundo, talvez até de países muçulmanos, já viu jovens imitando Michael Jackson. Adolescentes imitam Michael Jackson em clubes da periferia. Ele nos disse: é possível cantar bem, dançar bem e ganhar dinheiro. Só não sei se foi feliz. Essa é sua lição".

 
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Michael Jackson nos disse: "é possível cantar bem, dançar bem e ganhar dinheiro", avalia Chico César. "Só não sei se foi feliz".

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