
Alberto Luiz Fonseca
Da Austrália
Durante quase todo o ano passado, 2008, minha morada foi um apartamento em Bryanston Square, no bairro londrino de Marylebone, perto da estação do metrô "Marble Arch".
Escolhemos morar ali, na nossa etapa final em Londres, pela proximidade da Embaixada, meu local de trabalho. A Embaixada (do Brasil em Londres) fica numa rua do bairro vizinho, "Mayfair", chamada "Green Street".
Em português, rua Verde.
Green Street, segundo eu soube, deve seu nome aos jardins das casas do passado, que tinham belas árvores e vegetação... Isso, porém, foi há anos: hoje é simplesmente uma rua de três quarteirões, bem movimentada, com um café Starbucks numa de suas extremidades e, ao longo de suas calçadas, vários prédios de três andares de estilo vitoriano que abrigam, em sua maioria, escritórios de consultoria e/ou financeiras. Da calçada, não se vê nenhum jardim, portanto nenhum verde...
Na outra extremidade de Green Street está o conhecido Hyde Park, onde o assassino em série (ou "serial killer") conhecido como Jack, o Estripador, abandonava suas vítimas após... Bem... Realizar seu trabalho com elas.
Da porta de minha casa, em Bryanston Square, até a entrada da Embaixada, eram 876 passos, bem contados. Não que eu os tenha contado, claro. Mas, um colega que morava do outro lado da praça (no mesmo prédio onde mora a atriz australiana Cate Blanchett - Oscar de melhor atriz em 1999 pelo papel de Rainha Elizabeth), contou os passos de sua casa até a Embaixada e garantiu-me que eram 876.
Como nossos apartamentos ficavam praticamente na mesma altura da praça, fico com o mesmo número; que por sinal é bastante charmoso.
Ao sair de casa a caminho do trabalho, logo na primeira esquina eu dobrava à esquerda na rua Great Cumberland Street. Passando para a calçada oposta, no número 51 dessa rua, eu tinha de me desviar dos "paparazzi" que ali ficavam permanentemente estacionados, todos os dias do ano.
Nesse endereço morava nada menos que um dos casais mais procurados (ou seria melhor dizer "perseguidos"?) pela mídia naquele ano em Londres. A dupla Madonna e Guy Ritchie, que mais tarde se separaria com grande estardalhaço, ação judicial e tudo.
O motivo pelo qual os "paparazzi" se aglomeravam todos os dias naquela calçada, batendo papo (em diversas línguas) para matar o tempo, era bastante prosaico.
O fato é que Madonna havia comprado duas casas na rua, uma ao lado da outra. Uma, para morar, e a outra, para ser sua academia de ginastica particular.
No entanto, a prefeitura do bairro de Marylebone, muito preocupada em manter intactos os imóveis da região (que são todos 'tombados' pelo patrimônio histórico da cidade), não permitiu que Madonna abrisse uma porta comunicando as duas casa por dentro...
Como todos sabem, a cantora norte-americana tem o hábito de se exercitar regularmente. Assim, todos os dias pela manha, Madonna era obrigada a sair de sua casa, no número 51, andar alguns metros na rua e entrar na casa seguinte, a da academia. Era então a hora dos fotógrafos, flashes espoucando, uma bela confusão.
Sobretudo depois que os rumores da separação começaram a circular com mais força.
Essa era a cena com a qual eu me deparava, algumas vezes, a caminho do trabalho.
(A COLUNA "A CAMINHO DO TRABALHO" CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA)
Terra Magazine
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Reprodução
Madonna comprou duas casas, uma ao lado da outra. Uma para morar, e a outra, para ser sua academia de ginastica particular
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