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Quarta, 1 de julho de 2009, 10h42

Buscamos uma solução multilateral, diz Fred Lash

Pablo Calvi
De Nova Iorque

Depois da condenação do golpe de estado em Honduras por parte da ONU, o Secretário de Assuntos Hemisféricos dos Estados Unidos, Thomas Shannon, afirmou que tentará reunir-se com o presidente deposto Manuel Zelaya para buscar, juntos aos líderes democráticos da região, uma solução pacífica para o conflito.

No entanto, em um diálogo exclusivo com Terra Magazine, Fred Lash, porta-voz do Departamento de Estado, afirmou que ainda não se pensa em uma viagem a Honduras da Secretária de Estado Hillary Clinton em apoio a Zelaya. Lash também negou uma possível visita a Tegucigalpa em conjunto com os presidentes da região, pelo menos até que o atual governo garanta a segurança dos visitantes.

Leia a entrevista na íntegra:

Terra Magazine - Já começaram a ser avaliadas as sanções econômicas e diplomáticas que serão impostas ao atual governo de Honduras?
Fred Lash -
Por enquanto não acredito que esse tipo de medidas esteja sendo pensada, embora estejamos analisando a situação passo a passo, dia a dia. As sanções sempre são uma possibilidade, é claro, mas estamos tentando o retorno amigável do presidente Zelaya às suas funções. Penso que se a ONU e a OEA trabalham juntas, conseguirão convencer o governo de fato de Honduras da necessidade de o presidente voltar a ocupar o seu cargo, para reatar o rumo do governo democrático. Pensamos que para o nosso governo é melhor estimular esse tipo de soluções a nível diplomático do que implementar qualquer tipo de sanções. Mas, insisto, as sanções poderiam ser o passo seguinte. No momento, acreditamos que não serão necessárias.

Especulava-se que algum membro do governo dos Estados Unidos acompanharia a delegação de presidentes latino-americanos que se propõe a viajar a Honduras junto a Zelaya, nesta quinta-feira. Inclusive se chegou a falar da possibilidade de que Hillary Clinton participasse dessa missão. Há algo de verdade nisso, ou são apenas especulações?
Não acredito que a Secretária viaje para Honduras, em primeiro lugar porque não está na sua programação de viagens. Além disso, ela fraturou o cotovelo há alguns dias e isso limita as suas possibilidades de viajar. Realmente, não acredito que isso aconteça. No entanto, estamos considerando a possibilidade de enviar um delegado, mas é quase certo que será na missão da OEA. Vários representantes de diferentes países já manifestaram a sua intenção de acompanhar o presidente Zelaya, mas para isso terão que aguardar que o governo de fato ofereça as garantias necessárias para voltar, sem que essa volta se torne uma operação militar. Procuramos um retorno pacífico, dentro do contexto das negociações pacíficas entre o governo deposto e o governo de fato.

É possível que o presidente Obama torne a se manifestar com relação à questão hondurenha nos próximos dias?
Não, de momento não há nada agendado, além das declarações que já emitiu no domingo.

Foi elaborado algum tipo de ultimato para que o governo de fato de Roberto Micheletti restabeleça as negociações com o governo de Zelaya e lhe permita voltar a exercer as suas funções de presidente eleito?
Por enquanto, da nossa parte, não há nada nesse sentido. Estamos trabalhando com a Secretaria de Assuntos Hemisféricos em conjunto com a OEA. Mas é preciso esclarecer que não apenas os Estados Unidos estão trabalhando para resolver este conflito, pois contamos com a colaboração dos países da região. A nossa participação nesse conflito não é unilateral. Estamos procurando uma solução multilateral para essa questão.

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