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Quarta, 1 de julho de 2009, 15h58 Atualizada às 16h55

Buarque: apoio de Lula a Sarney agrava a crise

Marcela Rocha

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi o primeiro a propor o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que segue acuado pelas denúncias envolvendo os atos secretos da Casa. Segundo sondou o pedetista, 44 congressistas são favoráveis à proposta, enquanto outros 37 mantiveram-se contrários à "licença".

Para Buarque, a presença de Sarney na presidência compromete a credibilidade da Casa.

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A ministra-chefe da Casa, Dilma Rousseff, conversou com Sarney nesta terça-feira e pediu que ele aguardasse o retorno de Lula para decidir sua permanência ou não no cargo.

Na avaliação do senador pedetista, a "interferência" vinda do Planalto é uma desmoralização ainda maior do Congresso. "Isto é uma vergonha", critica. "O presidente Lula está conseguindo piorar a situação".

- Quando o Poder executivo começa a interferir como se o Congresso fosse parte do seu quintal, a República entra em crise. É inadmissível que espere a volta do presidente para tomar uma decisão.

Os senadores Aloísio Mercadante (PT-SP) e Idely Salvatti (PT-SC), por sua vez, levaram a Sarney a posição dos seus correligionários que, por maioria, desejam sua saída do comando da Casa - na reunião de ontem, sete petistas foram a favor do afastamento, e quatro contra.

Nesta quarta-feira, 1, Sarney presidiu uma sessão sob os murmúrios de seu desligamento ainda hoje. "Acho que o presidente não tem condições de presidir nenhuma sessão", afirma Cristovam.

- Vou defender que não tenhamos quórum (em plenário) durante a presidência do presidente Sarney.

Leia a entrevista na íntegra:

Terra Magazine - O senhor foi o primeiro a pedir a licença do presidente da Casa. Hoje, mais senadores acreditam ser esta a melhor opção. A que se deve?
Cristovam Buarque - Os senadores perceberam que qualquer resultado da investigação sobre a presidência, mesmo que ele tenha ficado acima de tudo, imparcial, não passará credibilidade neste momento. Os colegas perceberam que o Senado precisa recuperar a credibilidade.

Como avalia o posicionamento do Planalto frente ao Senado?
A interferência? Eu acho uma desmoralização maior ainda do Congresso. O presidente Lula está conseguindo piorar a situação. São poderes independentes. O presidente Lula deveria dizer que essa crise deve ser solucionada pelo Senado. Mas o presidente Lula, hoje, passa a impressão de que o Senado é como se fosse um dos seus ministérios. Isto é uma vergonha.

Foi, inclusive, sugerido que Sarney aguardasse o retorno de Lula para se decidir...
É o que corre aqui no senado: Lula pediu à Sarney que aguardasse seu retorno para tomar alguma decisão. Isso é uma desmoralização completa para o Congresso. Ele não pode tomar uma decisão como essa ouvindo o presidente Lula.

A sugestão foi feita pela ministra Dilma Roussef?
Então, isto começa a nos deixar preocupados com o governo Dilma. Se ela como ministra já está interferindo no Congresso, imagina como presidente? São poderes independentes. O diferente disto acontecia no Regime Militar, um terço dos senadores era biônicos, escolhidos pelo presidente.

Essa disputa partidária no Senado não torna natural este tipo de postura do governo?
Entre os Senadores é lamentável que o partidarismo prevaleça. Mas quando o Poder executivo começa a interferir como se o Congresso fosse parte do seu quintal, a República entra em crise. É inadmissível que espere a volta do presidente para tomar uma decisão.

Nos bastidores...
O Mercadante e a Ideli levaram ao Sarney a posição dos senadores do PT que, por maioria, querem a saída dele. São sete contra quatro, segundo a reunião de ontem.

O senhor espera, hoje, a saída de Sarney da presidência do Senado?
É, dizem. Mas ele está agora presidindo uma sessão. Acho que o presidente não tem condições de presidir nenhuma sessão. Depois do que o senador Sérgio Guerra (presidente do PSDB) disse ontem, sobre o Senado não ter presidente, como o Sarney vai comandar uma sessão de votação? Vou defender que não tenhamos quórum sobre a presidência do Sarney.

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Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
Cristovam Buarque: "interferência" vinda do Planalto é uma desmoralização ainda maior

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