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Sexta, 3 de julho de 2009, 08h13

Simples ações que fazem a diferença

Fabio Feldmann
De São Paulo

Uma notícia recentemente publicada na Folha de São Paulo me deixou muito espantado: "Brasileiros se protegem menos do sol". A reportagem mostra que, segundo estudo do Ministério da Saúde, o índice de proteção solar entre os brasileiros caiu de 53,3% para 43,9%, de 2007 para 2008.

O espanto é causado face às inúmeras constatações científicas acerca dos males que a exposição excessiva ao sol pode causar ao indivíduo e face às informações que recebemos quase que diariamente sobre os efeitos nocivos do buraco da camada de ozônio, fenômeno este que muitas pessoas confundem com o fenômeno do aquecimento global, apesar de serem distintos.

A verdade é que mesmo frente a tanta informação, parece que o brasileiro ainda não incorporou ao seu cotidiano ações simples e de extrema importância à sua saúde, como por exemplo, proteger-se da exposição excessiva ao sol. A pesquisa revela que as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro tiveram os piores resultados: na primeira cidade o índice de proteção é de 39,4%, enquanto que na segunda é de 37,8%. Já a capital que apresentou o melhor resultado foi Florianópolis, com 56,1% de sua população protegida.

A pesquisa considerou como métodos eficazes de proteção o uso de filtro solar, chapéu e vestuário, como a utilização de tecidos mais resistentes, mas segundo especialistas que conduziram o estudo, o brasileiro tende a se proteger somente com o uso de filtros solares.

Esta constatação causa uma enorme preocupação uma vez que o câncer de pele, diretamente relacionado à exposição ao sol, é o tipo de tumor mais incidente no Brasil. A cultura que temos no país de tomar sol, se não bem exercida, pode contribuir para que este tipo de doença aumente a cada ano. Aliás, o Instituto Nacional do Câncer já revela dados nesse sentido: são estimados para 2009, 62.090 novos casos para as mulheres e 58.840 novos casos para os homens.

Fica clara a importância de ações simples e individuais em nosso cotidiano, que podem fazer toda a diferença.

Outro exemplo claro está relacionado com a escolha dos alimentos que ingerimos. Em abril deste ano, a Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária constatou um alto índice de agrotóxico em 15% das 1.773 amostras de alimentos que analisou. O produto que apresentou maior irregularidade foi o pimentão (64,36%).

O alto índice de resíduos agrotóxicos causou preocupação à Anvisa, que realiza esse programa de inspeção desde 2001. No ano de 2007, o alimento que apresentou maior irregularidade foi o tomate, com 45%. Já no ano de 2008, esse índice caiu para 18%.

Mais uma vez, é aí que entra a ação do indivíduo, escolhendo a procedência dos alimentos que consome, dando preferência a produtos de origem certificada e atentando para práticas simples tais como lavar de maneira adequada os produtos que irá consumir.

As informações estão aí. Cabe a cada um de nós sabermos utilizá-las para o bem, fazendo escolhas e tomando atitudes mais conscientes.

Fabio Feldmann é consultor, advogado, administrador de empresas, secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade e fundador da Fundação SOS Mata Atlântica. Foi deputado federal, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Dirige um escritório de consultoria, que trabalha com questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável.

Fale com Fabio Feldmann: fabiofeldmann08@terra.com.br

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