Terra Magazine

 

Quinta, 9 de julho de 2009, 08h04

Gass: governistas temem fim de corrupção no RS

Diego Salmen

Líder do PT no Rio Grande do Sul, o deputado Elvino Bohn Gass atribui à "consciência" de seus colegas a resistência em assinar o pedido de CPI para investigar as denúncias contra a governadora Yeda Crusius (PSDB).

- Eles temem que a CPI desmonte esse esquema de corrupção no Rio Grande do Sul - afirma.

Leia também:
» José Aníbal: "Vamos desmoralizar CPI contra Yeda"
» Ameaçado de impeachment, vice do RS defende contrato
» MP não deve investigar denúncias contra Yeda, afirma Tarso
» Wenzel: Renúncia não está no vocabulário de Yeda
» Simon diz para Yeda se benzer e cobra Procuradoria

A coleta de assinaturas para a instalar a comissão na Assembléia Legislativa vem sendo feita pela deputada Stela Farias (PT). Até o momento, a proposta conta com a adesão de 17 parlamentares - incluindo dois do DEM, partido aliado da governadora.

No entanto, para se instalar a comissão no Rio Grande do Sul é necessário o apoio de, no mínimo, 19 deputados estaduais. E a base governista não parece disposta a ceder.

Os parlamentares alegam falta de provas contra a governadora, além de esperar a conclusão de um inquérito do Ministério Público Federal sobre eventuais irregularidades.

"Os argumentos (dos governistas) não valem", critica Gass. "Fatos contundentes estão sobrando. Quem não cumpre sua parte não pode cobrar do Ministério Público; a Assembleia Legislativa precisa fazer a sua parte, fiscalizar, e constituir as provas", diz.

Além disso a imprensa, segundo o deputado, tem sido complacente em relação às denúncias contra Yeda.

- Os fatos são tão relevantes que não tem como a impressa omitir. Mas no tempo do Olívio Dutra (PT, ex-governador do Estado), tinha manchetes mais fortes. Obviamente ainda há complacência frente o governo. Em outras conjunturas a imprensa estaria fazendo um debate maior - afirma.

Segundo a revista Veja, a procuradoria do Estado possui áudios que comprovariam doações de R$ 400 mil "por fora" na campanha para a eleição de Yeda, em 2006. Os montantes teriam sido entregues pelas empresas Alliance One e CTA-Continental.

Não foi a primeira denúncia, contudo.

Em meados de 2008, o vice-governador Paulo Feijó (DEM) divulgou diálogos em que o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), sugere o uso de dinheiro público para bancar campanhas eleitorais. O episódio resultou na queda de Busatto e do secretário-geral do governo gaúcho, Délcio Martini (PSDB).

No último dia 6 de julho, o jornal Zero Hora publicou reportagem afirmando que o empresário Lair Ferst, acusado de ser um dos líderes da fraude que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) gaúcho, encaminhou ao MPF um documento detalhando 20 irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início da administração tucana.

E nesta quarta-feira, 8, o Palácio do Piratini teve mais uma notícia ruim: servidores do Estado protocolaram um pedido de impeachment de Yeda. A conferir.

 
Valter Campanato/Agência Brasil
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB)

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol