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Tetsumo/Flickr/Divulgação
Drummond: "lobby age contra as tentativas de regulamentação governamental"
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Carlos Drummond
De Campinas (SP)
O lobby das instituições financeiras desencadeadoras da crise mundial continua forte, age contra as tentativas de regulamentação governamental e, com isso, atrasa a recuperação da economia. No Congresso americano e através da imprensa internacional, golpeia as tentativas de controlar o sistema financeiro informal (shadow banking system), de tamanho comparável ao do sistema controlado pelos bancos centrais e que funciona com garantias. Também luta contra a devassa dos paraísos fiscais e o enquadramento dos hedge funds, chamados de máquinas de destruição em massa dado o seu papel no colapso financeiro-econômico. Note-se que, nos Estados Unidos, o lobby é legal, o que só faz aumentar a letalidade dos estragos eventualmente provocados.
Os vínculos desse mundo com a esfera política são profundos e pesam nas decisões que afetam as instituições financeiras, formais e informais. De acordo com o Centro de Integridade Pública dos Estados Unidos, as 25 principais instituições originadoras das hipotecas subprime ou de baixa qualidade, que foram o estopim da derrocada, canalizaram 380 milhões de dólares para atividades de lobby e contribuições políticas. A maior parte dessas instituições está ligada a grandes bancos americanos.
Na década de 1970, 9% dos ex-congressistas americanos tornavam-se lobistas. Em 1994, esse percentual subiu para 50%. O trânsito na direção inversa, dos expoentes do mundo do lobby que se tornam congressistas, tem intensidade semelhante.
A atividade principal desse tipo de lobby (há também o das entidades sindicais) é destruir a regulamentação, vista como sacrílega uma vez que os negócios são considerados sagrados. As empresas financeiras e não financeiras, através das organizações de lobby, compram decisões que golpeiam o interesse público, e congressistas as vendem.
A relação entre o custo e o benefício supera o retorno de qualquer atividade econômica. Um grupo de empresas que pagou 1,5 milhão de dólares por uma pequena modificação tributária na lei economizou 100 bilhões de dólares em impostos. Reversão de regulamentações, desvio de leis, abolição de normas, retroatividade de deduções tributárias também estão entre os feitos rotineiros das empresas de lobby.
A onda recente de desregulamentação, desde a crise das empresas "ponto com" (de internet e de informática) até o abalo iniciado com as hipotecas subprime, começou na década de 1980 e se baseou no pressuposto de que regulamentações são impeditivos irracionais para os negócios. A regulamentação da iniciativa privada pelo governo, entretanto, é um código criminal e eliminá-la significa deixar os negócios entregues ao crime.
Fale com Carlos Drummond: carlos_drummond@terra.com.br
Terra Magazine
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