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Quarta, 29 de julho de 2009, 08h32

Retorno ao passado?

Maria Alice Rpcha/Terra Magazine
O crescimento do mercado de cosméticos a cada ano tem sido sistematicamente em torno de 25 a 30%
O crescimento do mercado de cosméticos a cada ano tem sido sistematicamente em torno de 25 a 30%

Maria Alice Rocha
Do Recife (PE)

Uma tendência relacionada com o consumo de cosméticos está cada vez mais consolidada: a procura por produtos naturais, orgânicos e... curiosamente, perecíveis.

Explicando melhor, a onda de denúncias a respeito de cosméticos que possuem em sua fórmula produtos prejudiciais à saúde, tem feito com que a venda de marcas que investem em produtos naturais e orgânicos cresça.

Para se ter uma idéia de como a ânsia por tudo que é mais natural e menos agressivo ao corpo humano, é significativa a troca de receitas de produtos cosméticos caseiros na internet, em especial na Europa.

Não há dúvidas de que essa prática de preparar cosméticos em casa é antiga, mas foi sendo substituída ao longo das últimas décadas pela aquisição de produtos industriais preparados em condições ditas como ideais para a eficácia e para a higiene e conservação, de acordo com os mais avançados padrões tecnológicos.

Na verdade, a sociedade contemporânea encontra-se num dilema relacionado a credibilidade dos benefícios que a indústria pode trazer para os seres humanos, e conseqüentemente, o equilíbrio do planeta. A crise é profunda no sentido do questionamento do futuro que deixaremos para as próximas gerações, seja em nível ambiental, seja em nível genético.

Voltando aos cosméticos, é fato que todas as empresas consolidadas no mercado como detentoras de tecnologias exclusivas e de alto grau de benefício para a saúde e beleza, hoje também investem em linhas alternativas, tradicionais e com 'tempero caseiro'.

De acordo com um relatório da Cosmébio, a associação francesa de profissionais da cosmética orgânica, o crescimento deste mercado a cada ano tem sido sistematicamente em torno de 25 a 30%. E apesar de representar apenas cerca de 4% do mercado cosmético francês, já não pode mais ser considerado como um nicho devido à sua posição emergente.

A idéia para que o segmento se fortaleça é investir em estratégias que privilegie o cosmético vegetal e não o sintetizado, pois o consumidor tem receio de algumas fórmulas, especialmente aquelas que contenham os parabenos responsáveis, principalmente, pela conservação dos produtos.

Sabe-se que há um grande interesse de grandes conglomerados industriais na aquisição de pequenas empresas que guardem 'receitas da vovó' em termos de formulações com aplicação estética. As mais tradicionais farmácias de manipulação são um prato cheio para isso, assim como aqueles velhos cadernos do fundo do baú.

Vale lembrar que a receita doméstica, apesar de algumas vantagens como o produto colhido diretamente no quintal, pode se tornar um viveiro de microorganismos se não for utilizado imediatamente. E considerando essa possibilidade, alguns institutos de beleza franceses desde o começo do ano oferecem cursos livres para o aprendizado na preparação de cosméticos orgânicos e perecíveis.

O público-alvo? Consumidores finais, que se sentem mais tranqüilos em saber exatamente tudo que está contido nos seus potes além dos princípios ativos como óleos essenciais, antioxidantes e vitaminas; e mais responsáveis e conscientes com tudo aquilo que é aplicado sobre os seus corpos.

E é com essa filosofia que foi criado site Bio a La Une, considerado o primeiro salão permanente via internet dos atores que promovem e consomem a produção orgânica. Com cerca de um milhão de visitantes diariamente, o portal se subdivide em alimentação, bem estar, habitação, artesanato, natureza e turismo.

Voltando à tendência da beleza 'mais natural', vislumbra-se para um futuro muito próximo, programas e reportagens sobre propriedades físico-químicas e organolépticas dos ingredientes básicos de diversos cosméticos em veículos de comunicação de massa, ou em rede nacional.

Não será surpresa se em horário nobre.

Maria Alice Rocha é doutora em moda pela University for the Creative Arts de Rochester, Inglaterra, e professora e pesquisadora de moda, vestuário e consumo na Universidade Federal Rural/PE.

Fale com Maria Alice Rocha: modalice08@terra.com.br

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