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Quinta, 30 de julho de 2009, 14h12 Atualizada às 15h42

PMDB tem tática da "máfia napolitana", diz tucano

José Cruz/Agência Brasil
Virgílio nega que possa recuar em suas representações contra o presidente do Senado José Sarney
Virgílio nega que possa recuar em suas representações contra o presidente do Senado José Sarney

Marcela Rocha

Armado o campo de batalha. Peemedebistas resolvem contra-atacar o PSDB, partido que já ingressou com cinco dos seis questionamentos ao presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética. Agora é a vez do PMDB. Anunciam que a representação contra o senador Arthur Virgílio será feita na próxima segunda-feira.

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O embate PMDB-PSDB se acirrou quando, na semana passada, Renan Calheiros (AL), líder do PMDB no Senado, ligou para o líder tucano, Virgílio (AM), pedindo para desistir das suas denúncias ou daria sequência a sua proposta de representar contra ele no Conselho. "Ele não vai barganhar comigo. Nunca", disse o peessedebista em uma entrevista inflamada a Terra Magazine.

O líder do PSDB é acusado de empregar um assessor que, mesmo morando na Espanha, era pago pelo Senado. Outra acusação contra Arthur Virgílio é de ter recebido um empréstimo de US$ 10 mil do ex-diretor geral Agaciel Maia para pagar uma conta de hotel em 2003, em Paris. O tucano também teria usado dinheiro do Senado para pagar R$ 723 mil no tratamento de saúde da mãe dele. O limite permitido é de R$ 30 mil.

Irônico, Virgílio ataca Renan:

- Aliás, Renan Calheiros é o melhor árbitro para definir decência nesse País, né?

Depois, parte para o presidente do Conselho de Ética, o senador Paulo Duque (PMDB-RJ):

- O que ele alega já aconteceu no gabinete dele (Calheiros) e acontece no do senador Paulo Duque, colocado por Renan como presidente do Conselho de Ética. (...) Duque não comparece ao local de trabalho, nega suas responsabilidades.

O senador reforça as denúncias contra o presidente da Casa. Chama Sarney e Renan de mentores de grupo com tática da "máfia napolitana". Em seguida, ironiza novamente: "Imagine se esse pessoal, que desvia dinheiro público, pendurado nas estatais, parasitas da República, tem condição de arbitrar como dirigentes da ética". "É uma coisa que não se sustenta", arremata.

Arthur Virgílio afirma que não pretende recuar em nenhuma de suas representações mesmo ante o "recado" dado pelos peemedebistas. Admite também que corre riscos por conta de o Conselho de Ética ser formado, em sua maioria, pela base governista.

- Em matéria de automobilismo, eu sou Fórmula 1, meu carro não tem
marcha a ré.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Como o senhor se defende das acusações feitas, tanto dos estudos do seu assessor pagos pelo Senado, quanto do fato dele ser filho do seu subchefe de gabinete?
Arthur Virgílio -
Aliás, Renan Calheiros é o melhor árbitro para definir decência nesse País, né? Em primeiro lugar, não há acusação nenhuma. O que existe é uma retaliação mafiosa feita por uma pessoa que renunciou à presidência do Senado em 2007 para não ser cassado por corrupção. Em segundo lugar, o que ele alega já aconteceu no gabinete dele e acontece no do senador Paulo Duque, colocado por Renan como presidente do Conselho de Ética. E, como sabemos, está acontecendo no gabinete do senador Sarney. A diferença é que eu chamei para mim a responsabilidade disto.

E a sua crítica está no fato de eles não terem feito o mesmo?
Não inventei desculpas, não falei que estava acompanhando por telefone, que é um assessor virtual. Eu chamei para mim a responsabilidade, vi que não é uma coisa certa, disse que iria ressarcir e estou fazendo isto. O Senado calculou quanto eu devia, arrendei meu terreno e já paguei quase R$ 61 mil dos quase R$ 210 mil e o restante parcelei em três outras prestações. Todos os dias 30 até outubro pago uma parcela. Fiz o que nenhum deles fez. Eu convocaria todos os que erraram como errei para agir deste jeito. Não posso esperar de ladrão de dinheiro público, que não é o caso das pessoas de boa fé como eu, que devolvam as ilhas, os jatos, as empresas fantasmas ou não, que roubaram. São responsáveis também pela miséria do povo brasileiro.

Como o senhor avalia o comportamento do senador Renan Calheiros? Acha legítima a ameaça feita por ele ao presidente do seu partido, Sérgio Guerra (PSDB-PE)? Por que mantiveram as representações mesmo assim? Pelos corredores, sabe-se que o senhor é um desafeto dos senadores José Sarney e Renan Calheiros. O que o senhor acha disto, a que se deve esse desafeto?
Paulo Duque não comparece ao local de trabalho, nega suas responsabilidades e Renan mantinha como consultor da Casa um lojista no Rio Grande do Sul. O que Renan disse, talvez possa ser considerado quebra de decoro parlamentar. Ele diz que tem muita coisa contra muito senador e que assume só atacar quem o incomoda, talvez isso seja quebra de decoro por si só.

O senhor fala então em barganha de acusações?
Exatamente. E ele não vai barganhar comigo. Nunca. A minha resposta foi dada com as minhas denúncias e com o fato de ter me mantido forte. E apresentarei tantas quantas denúncias forem necessárias, com documentos, provas e quando não tiver não faço. Não tem negócio. Não vou fazer concessão nenhuma a essa gente.

Mas quando o senador Renan Calheiros fala, parece que tem cartas na manga...
O que ele sabe de mim? Pode entrar à vontade. Muita gente mistura tudo e parece que tem 200 escândalos diferentes. Não tem escândalo nenhum. Eu sou o inimigo deles. Eles faltam com ética quando eles selecionam inimigos. Imagine se esse pessoal, que desvia dinheiro público, pendurado nas estatais, parasitas da República, tem condição de arbitrar como dirigentes da ética. É uma coisa que não se sustenta. Então, só a retaliação já mostra que eles têm uma cabeça de Camorra, máfia napolitana. O que não é o meu caso. Eu quero ser o promotor que prende a máfia.

Quando o senhor fala de "máfia" e se refere a "Eles", quem são especificamente?
Renan Calheiros e José Sarney que são os principais, os mentores.

Entendi. Por isto, vou voltar à minha pergunta sobre o desafeto...
Olha, não sou inimigo do senador José Sarney, sou inimigo dos netos dele. Eu não sou desafeto pessoal dele. Sim, mas agora, ele deve estar morrendo de raiva de mim, afinal de contas estou ameaçando o império que ele montou.

Senador, o senhor está sendo acusado, já está restituindo os cofres públicos. Percebemos que o PMDB resolveu contra-atacar. Sabemos do que se trata este ataque, mas o senhor também sabe que oposição é minoria no Conselho de Ética. Não acredita que seu partido deva recuar nas acusações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP)?
Em matéria de automobilismo, eu sou Fórmula 1, meu carro não tem marcha a ré.

 

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