
Atualizada às 17h22 Vera Gonçalves de Araújo
De Roma
O mundial de natação em Roma colocou um problema inédito para quem frequenta piscinas: qual é a diferença entre um maiô para nadar melhor e o doping tecnológico? Os cientistas que trabalham na fábrica da Arena - um dos principais fornecedores dos maiôs dos nadadores - estão tentando responder a essa pergunta.
A fábrica da Arena fica na cidadezinha de Tolentino, nas Marcas, região do centro da Itália. A marca de maiôs nasceu de uma ideia de Horst Dassler, da Adidas, em colaboração com o campeão dos campeões das piscinas, Mark Spitz. Para resolver o dilema dos novos maiôs, a Arena recorre à colaboração de jovens cientistas de todo o mundo. Assim como outra marca de maiôs italiana, a Jaked, e a BlueSeventy, da Nova Zelândia.
A colaboração entre ciência e esporte não é uma novidade, mas no campo da natação tudo está mudando rápido demais. Como demonstram os 43 recordes mundiais estraçalhados em Roma. A natação abandonou o papel de esporte com baixo impacto tecnológico para adotar o de disciplina em que a inovação é decisiva.
Nos dias do Mundial, todas as piscinas de Roma foram ocupadas por atletas que treinavam. Mesmo a do hotel Parco dei Tirreni, que frequento. Ficar olhando o time inglês que treinava e reclamava dos maiôs foi mais divertido do que o livro que eu tinha levado para me distrair pegando um sol. Os cientistas da Arena confirmam que a atenção agora se concentra no feedback do atleta.
Antigamente (quer dizer, há quatro anos atrás) se usava três materiais diferentes para cobrir músculos e articulações, mas os cientistas descobriram que para alguns atletas a sensação na pele de diversos materiais, e principalmente as costuras que uniam as várias partes do maiô, era mais negativa do que as vantagens teóricas do novo "traje de banho".
A partir das reclamações dos atletas, se abriu um filão de pesquisa, com estudos sobre a pele dos delfins, de hidrodinâmica, de biomecânica e de física dos fluidos. Mas depois de ler tudo o que estão bolando para criar maiôs cada vez mais incrementados, as dúvidas aumentam. A sensação é de que esse pessoal parou de estudar os atletas e os métodos de treinamento, para se concentrar nos maiôs. Esquecendo que a natação é um esporte com uma ética e regras que deveriam colocar todos os atletas no mesmo plano. Esses novos maiôs não são nada democráticos.
Cesar Cielo e Felipe França, por exemplo, não chegam a ser contrários aos novos maiôs, mas acham que o esporte deveria voltar a colocar todos os nadadores em pé de igualdade. E estão dispostos a voltar à velha sunga, que por enquanto parece superada e esquecida.
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