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Mario Cravo Neto/Reprodução
Mario Cravo Neto, "um dos pioneiros da introdução da fotografia dentro do mercado das artes", destacou o fotógrafo Cristiano Mascaro
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Ser um Cravo, na Bahia, é cumprir um ritual da arte. Desde que o escultor Mario Cravo Júnior arrepiou as igrejinhas provincianas, na década de 40, abrindo os caminhos tardios da arte moderna baiana, essa família de tradição na cafeicultura não se aquietou. Com um pé na Cidade da Bahia, outro em Nova Iorque, na ponte imaginária entre as duas cidades, os Cravo permanecem como fontes referenciais das artes visuais no Brasil. Marios, Aminthas, Christian.
Morto em 9 de agosto, vítimado por um câncer de pele, aos 61 anos, Mario Cravo Neto foi certamente um dos maiores fotógrafos de sua geração, incansável até pouco antes de sua morte, quando organizou a instalação Bo no MAM, no Museu de Arte Moderna, em Salvador.
Nasceu na capital baiana em 1947, transitou por NY na década de 1960 e participou de cinco Bienais Internacionais de São Paulo (1971, 1973, 1975, 1977 e 1983). Seu primeiro trabalho fotográfico esteve ligado à obra do pai, Mário Cravo Júnior. Publicou "Ex-Votos", "Salvador", "Laróyè", "Na Terra sob Meus Pés" e "O Tigre do Dahomey - A Serpente de Whydah", 2004.
Na fotografia ele parecia atualizar e explorar os limites das representações étnicas e religiosas. O Candomblé, esteio da religiosidade baiana ao lado do catolicismo, desempenhava um papel central na obra de Cravo Neto, ainda que ele tenha se distanciado, gradualmente, dos rituais de filho-de-santo. Era também um devedor dos trabalhos etnográficos de Pierre Verger.
"Minha religião é fazer fotografia, experimentar. Sou uma pessoa religiosa, mas não no sentido ortodoxo. Não acredito em nada no sentido de que não existe uma verdade finita. As verdades são passageiras, são interpretações... Nós somos feitos da nossa experiência pessoal", declarou em abril à revista Muito, do jornal A Tarde.
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