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Terça, 11 de agosto de 2009, 14h06 Atualizada às 15h08

Presidente do PSDB nega acordo com PMDB

Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
Para o presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, Sarney é sustentado no Senado pelo Planalto
Para o presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, Sarney é sustentado no Senado pelo Planalto

Marcela Rocha

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), nega que haja acordo entre seu partido e o PMDB para resolver a crise do Senado e salvar o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e o tucano Arthur Virgílio (AM). Guerra acredita que "estão falando isto porque ontem não teve bala no Senado".

- Toda a ação de sustentação do Sarney aqui é comandada pelo Planalto - ataca.

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Otimista, Guerra conta com os votos petistas tanto para que Virgílio seja absolvido quanto para que sejam instauradas as investigações contra Sarney. Evita fazer críticas ao PT, "nesse momento", enfatiza, sem deixar de salientar que "falta clareza" aos senadores encabeçados por Aloizio Mercadante (PT- SP).

Nesta terça-feira, 11, o senador Sérgio Guerra participará da CPI da Petrobras, atividade parlamentar que também divide a Casa. Para desgosto da oposição, o depoimento de Otacílio Cartaxo, chefe da Receita Federal, será ouvido nessa sessão pelos integrantes.

"Será um depoimento surrealista porque o que produziu o conflito entre Petrobras e Receita aconteceu na época da gestão de Lina Vieira, ex-chefe da Receita". Sérgio Guerra insiste que Lina é quem deveria ser ouvida pela comissão. "(o depoimento de)Otacílio vai ser a mesma coisa que nada", afirma.

Lina respondia pelo órgão quando a Receita esclareceu à Petrobras que a estatal não poderia utilizar um artifício contábil para deixar de pagar R$ 2,14 bilhões em impostos neste ano, o que motivou a instalação da CPI.

Para a oposição, somente Lina poderia explicar se houve mesmo um pedido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para que a investigação da Receita sobre a família do presidente do Senado, José Sarney, fosse "agilizada".

- O presidente Lula e a ministra Dilma já disseram ser necessário segurar o status quo do Senado porque era importante para a aliança de 2010.

Leia abaixo a entrevista com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra:

Terra Magazine - Fala-se em um acordão entre PMDB e PSDB, o senhor confirma?
Sérgio Guerra -
Não, não existe nada disto. Nenhum acordão. Estão falando isto porque ontem não teve bala no Senado. As coisas estão assim, no dia em que se tem troca de bala, tem conflito. No dia que tem silêncio, tem acordão.

Senador, o senhor acredita que valeria apena recuar nas investigações contra Sarney para "salvar" Virgílio? Ou valeria apena "entregar" Virgílio?
Arthur Virgílio não será entregue. Ele se defenderá no Conselho de Ética e vai ganhar no plenário.

O senhor conta então com o apoio do PT?
Eu espero. O líder, Aloizio Mercadante já disse e os outros membros da bancada também.

O senhor acredita que o PT está querendo plantar essa historia de "acordão" para evitar maiores indisposições?
Acho que o PT está vivendo problemas, de um lado fica a opinião pública e de outro estão os interesses partidários. Não posso condenar o PT por nada, nesse momento não. Se tiver que fazer isto por algum motivo será por falta de clareza.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP), declarou que o Planalto interferiu no Conselho de Ética. O senhor acredita que, se reabertos os processos contra Sarney, isso pode vir a acontecer?
Aqui tem ingerência do Planalto em tudo. E toda a ação de sustentação do Sarney aqui é comandada pelo Planalto.

Senador, falou-se para Arthur Virgílio que ele não poderia "cobrar por uma ética que ele não poderia cumprir". Esta semana foi levantada a história sobre uma viagem à Nova Iorque de sua filha que foi paga pela Casa...
Eu não posso acusar alguém de ter soltado essa história justo agora. Não posso fazer acusações de coisas que eu não posso provar. Mas é evidente que é inexplicável isto ter sido levantado agora até porque não havia nenhum caráter de irregularidade. Esse grupo acha que já perdeu o que tinha para perder a agora resta causar danos a outro.

Sobre a CPI da Petrobras, o que o senhor espera do depoimento de Otacílio Cartaxo, chefe interino da Receita Federal que assumiu após a saída de Lina Vieira?
Hoje será um depoimento surrealista porque o que produziu conflito entre Petrobras e Receita aconteceu na época da gestão de Lina. Ao invés dela, quem vem hoje aqui é o sucessor dela que foi colocado lá para desfazer o que ela fez.

O senhor espera, então, "surrealismo"?
Essa é uma tática para defender a Petrobras contra qualquer investigação. A presença de Otacílio não causa nenhum dano a ninguém. Vai ser a mesma coisa que nada. Nós queremos a Lina. Ela é que sabe das coisas.

Lula disse que Lina "fantasiou" encontro com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff...
O presidente Lula, do alto da sua elevada popularidade, tomou sua decisão: segurar a qualquer preço os seus aliados. Uma hora é Sarney, outra hora é Renan, outra hora é Dilma.

Normal, não? O senhor acredita, então, que as alianças para 2010 estão inviabilizando a "arrumação" da Casa?
O presidente Lula e a ministra Dilma já disseram ser necessário segurar o status quo do Senado porque era importante para a aliança de 2010. Não foi a oposição que disse isto, foram eles mesmos.

 

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