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Terça, 18 de agosto de 2009, 08h06 Atualizada às 16h05

Cachaça de ouro

Masao Goto Filho/Divulgação
Cachaça de Paraty em São Paulo, por Masao Goto Filho: Tradição de mais de dois séculos
Cachaça de Paraty em São Paulo, por Masao Goto Filho: Tradição de mais de dois séculos

Thais Bilenky

O Caminho do Ouro, entre Minas e o Rio coloniais, desde muito é abastecido pela cachaça de Paraty (RJ). É hoje uma produção pequena, mas a feitoria, artesanal, confere à pinga da região um sabor tido especial. O fotógrafo carioca Masao Goto Filho trabalhou com amigos para trazer o gosto e as cores da cachaça paratiense para São Paulo.

A exposição no restaurante Pitanga, na Vila Madalena, atende a todos os sentidos. As fotos de Masao são o registro do sabor da cachaça, degustada em canequinhas e/ou em pratos, especialmente elaborados para a ocasião: frango com pequí e cachaça e, de sobremesa, rosquinha de pinga. Aberta hoje, 18, às 19h, a mostra traz imagens das histórias de famílias que produzem cana há mais de dois séculos.

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"Tem alambique que produz cachaça ininterruptamente. Coqueiro faz desde 1803, o bisavô, o avô, o pai e agora o filho. Tem a Maria Izabel é uma mulher que começou a fazer cachaça há cerca de doze anos, o pai dela e os tios, a geração anterior à dela na família ninguém fez. Mas o avô retrocedendo até o século 17, todo mundo fazia cachaça. E ela faz num lugar maravilhoso", conta o fotógrafo.

A fazenda de Maria Izabel, retratada na imagem reproduzida acima, é uma das seis que receberam em 2007 o selo IG (Indicação Geográfica) de Procedência "Paraty" para o produto Cachaça. Para atender às normas do Ministério da Agricultura, o que rendeu a certificação, os produtores tiveram que modernizar os alambiques.

"Não tem mais aquelas dornas de madeira com limo, tem que ser de alumínio. O ambiente da fermentação precisa ficar limpinho", diz Masao, que frequenta os alambiques paratienses há mais de sete anos.

"As fotos, apesar de serem de fato bonitas e interessantes, não são informativas, documentais. Mostram a beleza e o quanto é rústico o ambiente. É como Paraty, que não é uma beleza tão explícita", interpreta o fotógrafo. As imagens estarão postas à venda no local da exposição.

Para Masao, a região cativa pelo peso da passagem dos anos. "É muito interessante a cachaça se cruzar com a história do Brasil em Paraty, porque serviu de moeda, e porque fez parte da economia do Brasil. Uma tradição incrível".

Além de Maria Izabel, receberam o selo IG: Cachaça Coqueiro, Cachaça Corisco, Cachaça Engenho D'Ouro, Cachaça Labareda, e Cachaça Paratiana, cujos alambiques foram retratados pelo fotógrafo. Masao trabalhou nos jornais Folha e S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário do Comércio, na revista Época e fundou a agência e-SIM.

Exposição:
De 18 de agosto, às 19h, a 18 de setembro.
Restaurante Pitanga: R. Original, 162 - Vila Madalena - São Paulo

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