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Quinta, 27 de agosto de 2009, 20h57 Atualizada às 01h20

Morre o jornalista Geraldo Mayrink

Claudio Leal

O jornalista Geraldo Mayrink morreu nesta quinta-feira, aos 67 anos, em São Paulo, vitimado por um câncer. O velório será em Vila Alpina, nesta sexta, das 8h às 13h. Deixa a mulher, Maria do Carmo, e os filhos Gustavo e Marieta.

Nas 19 redações por onde passou, de 1963 a 2007, ele exerceu a crítica e a reportagem. "Geraldo Mayrink era dono de um dos melhores e mais saborosos textos da imprensa brasileira do nosso tempo. Um extraordinário formador de quadros e equipes. Escrevia sem sofrimento, sem que isso significasse transferir o sofrimento para o leitor. Não era um homem torturado", diz o jornalista e escritor Humberto Werneck.

Nascido em Juiz de Fora (MG), em 17 de maio de 1942, Mayrink trabalhou nas redações de Binômio - uma espécie de precursor do "Pasquim" -, Diário de Minas, O Globo, Jornal do Brasil, Manchete, Revista Goodyear, Veja, IstoÉ, Playboy, Correio Braziliense,O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, IstoÉ-Gente, Época e Diário do Comércio (SP).

De trajetória vinculada ao cinema e à literatura, deixa um acervo de crônicas, perfis e críticas sobre obras e personalidades brasileiras do século XX: Glauber Rocha, Zé Celso Martinez Corrêa, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, etc. Fez a entrevista que marcou o retorno do poeta Bruno Tolentino ao Brasil, em 1996, na revista Veja. Uma aula informal de como ser um bom entrevistador.

"Trabalhamos juntos no Binômio. Sempre foi mais redator do que repórter. Tinha um humor muito especial, um texto primoroso", diz o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ).

Geraldo Mayrink publicou os livros "Juscelino" (biografia, 1983), "O cinema e a crítica paulista" (ensaio com outros autores, 1986), "Jorge, Le rouge" (biografia de Jorge Amado, 2001) e "O poeta que amava as mulheres" (biografia de Vinicius de Moraes). Era professor-doutor por notório saber da Universidade de São Marcos (SP).

Werneck, autor do livro "O desatino da rapaziada" (sobre jornalismo e literatura em Minas Gerais), recorda-se de um conselho venenoso de Mayrink a uma repórter que não sabia empregar as vírgulas: "Faça o seguinte, minha filha: nesta lauda você escreve o texto. Nesta outra você põe as vírgulas. Deixa que eu distribuo".

No hospital, fez escorrer seu humor mais terno: "A vida é curta. Mas os dias são looongos...".

 

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