Atualizada às 10h37 Carolina Oms
Especial para Terra Magazine
Com a tensão crescente entre Venezuela e Colômbia e a disposição do presidente Hugo Chávez de cortar relações comerciais com o país vizinho, o Brasil deve buscar preencher a lacuna aberta com o possível bloqueio. A informação foi dada a Terra Magazine pelo presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela, Darc Costa. "O Brasil deve procurar preencher essa lacuna com o corte comercial, porque a Colômbia ocupa a segunda colocação de países exportadores para a Venezuela", disse.
"Não há interesse em prejudicar a Colômbia, mas (o Brasil) precisa preencher esse vácuo, antes que a China, com toda a sua agressividade comercial, ocupe o espaço", completou.
Desde o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Colômbia para a construção de bases militares no país sul-americano, o governo venezuelano está tentando substituir as importações da Colômbia por produtos de outros países: "Vamos nos preparar porque a burguesia colombiana nos odeia e já não há mais possibilidade de retorno. Essas sete bases são uma declaração de guerra contra a revolução bolivariana", afirmou o presidente Hugo Chávez, ao anunciar o rompimento das relações com Bogotá e solicitou ao seu ministro de relações exteriores que "preparasse a ruptura".
Uma das medidas de retaliação tomadas por Chávez foi substituir a importação de 10 mil carros colombianos por carros da indústria argentina. Em 2008, as importações provenientes da Colômbia para a Venezuela ultrapassaram a cifra de US$ 6 bilhões. Caso sejam mesmo substituídas, representam um mercado atrativo para os empresários brasileiros.
Segundo o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Welber Barral, a Venezuela é um mercado em expansão no qual os produtos brasileiros têm imensas possibilidades. Em entrevista a Terra Magazine, o secretário alegou ser esse o principal motivo da missão empresarial que o Ministério do Desenvolvimento realizou à Venezuela, mas, diplomaticamente, não quis comentar se havia relação específica entre a viagem e uma possível substituição das importações colombianas ao país.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, das exportações que o Brasil realizou para a América Latina, a Venezuela foi o principal destino e um dos principais responsáveis pelo superávit brasileiro, nas importações provenientes da América Latina a Venezuela é o quinto principal exportador.
O presidente da Câmara de Comércio também destacou a relevância do comércio entre os dois países: "No período de janeiro a julho de 2009, o comércio com a Venezuela representou 9,9% do saldo comercial brasileiro. As importações da Venezuela são de extrema importância para a economia brasileira, porque possibilitam a diminuição de nossa dependência comercial com os Estados Unidos". A Venezuela representa hoje o maior superávit comercial do Brasil, com U$$ 4,6 bi.
Embora as cifras sejam altas e as ameaças de rompimento de Chávez constantes, há quem duvide que um rompimento comercial ocorra de fato. Em diálogo com Terra Magazine o economista e diretor executivo do CEAL (Conselho Empresarial da América Latina), Alberto Pfeifer, afirma que já existem muitos vínculos empresariais estabelecidos entre os dois países e vantagens logísticas decorrentes da proximidade.
O economista acredita que o congelamento das relações comerciais entre os dois países é "retórica, como de hábito", e conclui: "É possível que em algum setor haja represálias, medidas específicas do governo de Chávez, mas não a paralisação de todo o comércio entre Colômbia e Venezuela".
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Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
Chávez (foto) quer substituir importações da Colômbia
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