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Quinta, 3 de setembro de 2009, 08h24

Energias renováveis: a alternativa eólica

Antonio Corrêa de Lacerda
De São Paulo

A energia eólica se apresenta como uma das principais alternativas renováveis. Ela tem origem na associação da radiação solar com a rotação planetária que gera ventos, sendo uma fonte inesgotável de energia e, portanto, uma opção energética sustentável no longo prazo.

Atualmente, cerca de 60% da oferta de energia primária no mundo tem origem fóssil. Carvão e petróleo, fontes finitas de energia e extremamente poluentes, terão restrição de oferta em um futuro próximo. Esta situação e seus impactos ambientais têm preocupado as autoridades dos países, que já estão se mobilizando na busca da substituição gradual desta matriz para garantir energia às gerações futuras.

Além da vantagem de ser uma "energia limpa", a tecnologia eólica ocupa pouco espaço, podendo ser compatibilizada com áreas de cultivo de lavouras e/ou pastagens. As usinas eólicas podem suprir a falta de conexões de redes elétricas em lugares onde estas redes não estão disponíveis. Isso permite que regiões isoladas geograficamente e, que apresentam boa classe de ventos como, por exemplo, as aldeias agrícolas na Índia e China, e no Nordeste brasileiro - contribuindo para a geração própria de energia sem a necessidade de incorrer em altos custos de implantação de redes de transmissão convencionais nestas áreas.

A infra-estrutura de baixa complexidade, também é um fator positivo da tecnologia eólica, pois combina baixos custos de implantação com reduzido impacto ambiental. Por isso, é possível que os prazos de concessões de licenças ambientais em novos projetos sejam menores no Brasil, em comparação aos projetos mais complexos como, por exemplo, de usinas hidrelétricas.

A inconstância nos fluxos de ventos em determinadas regiões e períodos no ano, não deverá ser um fator que inviabilize a expansão dos investimentos em energia eólica no mundo e no Brasil; afinal, essa fonte não deve ser usada com exclusividade na matriz de um país ou região. O ideal é compatibilizar esta tecnologia de forma a complementar outras fontes de energia coexistentes.

Outro fator negativo é que não se pode armazenar o combustível necessário, ou seja, os fluxos de ventos para a produção da energia eólica nos períodos em que ele é abundante. Isso torna necessária a utilização de outros tipos energia nos momentos de "escassez de ventos". Por outro lado, quando há "abundância de ventos", este excedente pode ser utilizado em outras aplicações como, por exemplo, alimentação de sistemas de calefação de residências e de baterias industriais, que contribuirão para o funcionamento de turbinas a gás em usinas de apoio.

O mercado mundial de energia eólica tem registrado expansão nos últimos anos. A capacidade instalada no setor foi de 120.791 Megawatts (MW) em 2008, sendo aproximadamente 12 vezes superior, em comparação a 1998. Houve crescimento médio anual de 25% da capacidade instalada global no período.

No âmbito empresarial, o mercado é dominado por poucas fornecedoras, sendo que as principais empresas são: Siemens, General Eletric (EUA), Vestas (Dinamarca) e Enercon (EUA), com amplo portfólio que abrange desde aerogeradores e turbinas, como partes e peças, além de componentes de usinas eólicas. Este mercado é concentrado devido às altas barreiras a entrada ao mercado, sendo as principais: (i) elevado conteúdo tecnológico e (ii) elevada escala produtiva.

A expectativa de crescimento do mercado com elevada margem de retorno nos próximos anos, e as altas barreiras à entrada ao mercado, mencionadas acima, tem acelerado os processos de fusões e aquisições, principalmente, nos segmentos de aerogeradores e turbinas.

Os investimentos nos últimos anos foram impulsionados, principalmente, por ações governamentais, provocando aumento da demanda nos mercados de turbinas e aerogeradores, que movimentaram em conjunto, em âmbito mundial, cerca de US$ 84,5 bilhões em 2008.

A indústria eólica alemã é a maior do mundo, com um market share global de 20%, com grandes players presentes no mercado como a Siemens e a Repower sendo que, neste mercado já se consome mais aço e emprega mais pessoas que a sua tradicional indústria automobilística.

Na semana que vem, analisaremos as oportunidades do Brasil nesse mercado.

* Colaboraram Alexandre Oliveira, Natalia Galhardi e Chistian Hoffmann

Antonio Corrêa de Lacerda é professor-doutor do departamento de economia da PUC-SP e autor, entre outros livros, de "Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil" (Saraiva). Foi presidente do Cofecon e da SOBEET.

Fale com Antonio Corrêa de Lacerda: alacerda@terra.com.br

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