
Carlos Drummond
De Campinas (SP)
A elite financeira americana está usando toda a sua influência para evitar as reformas de que o sistema financeiro mais precisaria para deixar de ser a principal alavanca dos colapsos econômicos contemporâneos. A situação é alarmante e o governo Obama parece sem apoio, ou sem vontade de agir contra o sistema financeiro, alertou o economista Simon Johnson, ex-economista-chefe do FMI e professor do MIT no artigo O golpe silencioso.
Os interesses dos negócios da elite financeira norte-americana desempenharam um papel central na geração da crise de 2008, com apostas cada vez maiores bancadas implicitamente pelo governo, observa Johnson. O afrouxamento da regulação do sistema financeiro, a oferta abundante de dinheiro barato, o desenvolvimento do sistema econômico sino-americano e a alavancagem do mercado da casa própria contribuíram, de maneiras diferentes, para a geração do colapso. Mas todas essas políticas, associadas a republicanos ou a democratas, tinham um ponto em comum: beneficiavam o setor financeiro, como destaca Johnson. Exemplo: medidas que poderiam limitar os efeitos da crise, mas reduziriam os ganhos do setor financeiro, como a tentativa de regular os Credit Default Swaps pela Commodity Futures Trading Comission, em 1998, foram ignoradas ou postas de lado.
Nos últimos 25 anos o sistema financeiro dos Estados Unidos tornou-se cada vez mais poderoso, em uma escalada que começou com Ronald Regan, continuou com as políticas de desregulamentação de Bill Clinton e atingiu o seu ápice no período de George W Bush. A leniência do governo em relação às práticas cada vez mais ousadas do mercado financeiro e a criação de instrumentos fora de controle expandiram em escala recorde o setor. Em 1985, os lucros do setor representaram 16% dos lucros dos demais setores da economia somados. Em 2007, equivaleram a 181% desse conjunto. A grande riqueza concentrada no setor financeiro proporcionou aos banqueiros de hoje um enorme peso político, não visto nos Estados Unidos desde 1907, quando John Pierpont Morgan detinha um poder equivalente ao de um banco central, observa Simon Johnson.
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