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Divulgação
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Deolinda Vilhena
De Santos (SP)
Recebo uma mensagem da Ana Teixeira, uma das mais brilhantes diretoras de teatro que conheço, leia-se Amok Teatro. Em poucas linhas ela me dá o texto para abrir a coluna de hoje. Confiram comigo:
Quando olhamos para os mais importantes movimentos de renovação da cena, percebemos que frequentemente, a busca de um novo teatro esteve relacionada com a busca de um novo ator. A formação é a chave das grandes experiências teatrais, do início do século XX até hoje.
A pedagogia como ato em criatividade, ato em reflexão, responde à necessidade de gerar uma cultura teatral, quer dizer, uma dimensão do teatro que coloca em evidência que os espetáculos não recobrem a totalidade da atividade teatral. Esta pedagogia está ligada a uma efervescência artística e intelectual e se opõe às escolas de teatro institucionais, que foram criadas e nasceram para atender a outras exigências e respondem a uma outra cultura.
Este encontro reflete uma busca que visa o ator, o centro das interrogações sobre a prática teatral. Sondar seus segredos, suas tradições, conhecer métodos de trabalho, penetrar em um território técnico, procurar as "leis" que regem a sua arte, sem perder de vista a experiência do trabalho expressivo, que dá consistência a uma idéia, a uma cultura.
A amplitude e a riqueza de experiências que se encontrarão durante uma semana de trabalhos intensivos em Belo Horizonte, é o primeiro passo em direção a um Centro Internacional de Pesquisa Sobre a Formação em Artes Cênicas. A proposta é confrontar pontos de vista, transmitir experiências, colocá-las em diálogo, esperando que seja possível encontrarmos um ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre a formação em artes cênicas."
Ana Teixeira é a Coordenadora pedagógica do Programa de Oficinas 2009 do ECUM - Centro Internacional de Formação e Pesquisa em Artes Cênicas, que marca um encontro entre os mais importantes pesquisadores franceses das artes cênicas, artistas, profissionais e estudantes de todo o país e que será realizado de 26 a 31 de outubro, em Belo Horizonte como parte do calendário do Ano da França no Brasil.
Não sei de quantos projetos já participei nesse quase meio século de vida. De alguns me orgulho muito, de outros nem tanto. Mas existem alguns que conquistaram, desde o primeiro momento, o meu coração, esse do qual vou lhes falar hoje é um deles. Prestem bem atenção porque nasce aqui um importante capítulo na formação de atores nesse Brasil tão carente de formação em todas as áreas do conhecimento.
Em 2008, o ECUM, em sua sexta edição, comemorava 10 anos de atividades. Na ocasião, seus coordenadores - Guilherme Marques e Fernando Mencarelli - se propuseram a implantar um programa de ação continuada que tivesse por objetivo ampliar e aprofundar os vínculos com os diversos artistas, pedagogos e centros de criação e pesquisa em artes cênicas, nacionais e internacionais, com os quais estabeleceram parcerias ao longo desses anos.
Com o Programa de Oficinas 2009, a ECUM Central de Produção dá início às atividades do ECUM - Centro Internacional de Formação e Pesquisa em Artes Cênicas, visando aprofundar o intercâmbio no âmbito da pesquisa sobre a formação.
O programa de estudos conta com a participação de seis destacados artistas-pedagogos convidados, organizados em torno de cinco oficinas de trabalho: a OFICINA BALAGAN, que será ministrada por Béatrice Picon-Vallin (Diretora do Laboratório de Pesquisas sobre as Artes do Espetáculo do CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique e professora de História do Teatro no Conservatoire Supérieur d'Art Dramatique de Paris) e pelo artista e pesquisador Philippe Goudard (professor do Conservatório de Arte Dramática de Montpellier e colaborador no Departamento de Artes e Espetáculos da Universidade de Louis Lumière em Lyon e Paul Valéry em Montpellier); A TEATRALIDADE DO MOVIMENTO, que será baseada nas reflexões desenvolvidas há 30 anos pela artista Claire Heggen (co-diretora do Théâtre du Mouvement, co-diretora artística do Centre de Trielle/Auvergne, co-fundadora de "Transversales", Académie européenne des Arts du Geste, professora do Institut International de la Marionnette de Charleville Mezières, da Escola do Théâtre National de Strasbourg e do Institut d'Etudes Théâtrales Paris III); ATUAR O ÍNTIMO A CÉU ABERTO, capitaneada por Claire Arnaud-Dusigne (formada pela École internationale de Mime, Mouvement, Théâtre de Jacques Lecoq) e Jean-François Dusigne (professor em Artes do Espetáculo, Teatro e Etnocenologia na Universidade Paris 8, Colaborador no Laboratório de Pesquisa em Artes do Espetáculo do CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique e co-diretor artístico da ARTA - Associação de Pesquisa das Tradições do Ator); O JOGADOR: A PRESENÇA DO INTÉRPRETE E O ESPAÇO DO PALCO, com Alexandre del Peruggia (pedagogo no Conservatoire National Supérieur d'Art Dramatique de Paris, da Ecole Nationale Supérieure des Arts et Techniques du Théâtre de Lyon e da Comédie de St Etienne, artista associado no Centre National de Création et de Diffusion Culturelles de Châteauvallon, formado no Conservatoire National des Arts du Cirque et de Mime); e um ATELIER DE REFLEXÃO TRANSVERSAL, que propõe, com a orientação de Béatrice Picon-Vallin e Jean-François Dussigne, a integração dos participantes de todas as oficinas em torno de uma reflexão sobre as disciplinas próprias à formação do ator e pretende abrir pistas para uma pesquisa contínua e durável.
As inscrições deverão ser feitas até o dia 28 de setembro de 2009, mediante o preenchimento da ficha que se encontra disponível no site www.ecum.com.br e deve ser enviada juntamente com o curriculum vitae do candidato e uma carta de motivação para o email centrodeformacao@ecum.com.br. Estes documentos serão encaminhados pela produção do evento à comissão avaliadora. O resultado da seleção de currículos será divulgado no dia 05 de outubro e os candidatos serão avisados pela ECUM Central de Produção.
Detalhe mágico: as inscrições são gratuitas e só serão efetuadas após o resultado da seleção. Os candidatos podem ser estudantes (com o mínimo de 3 anos de estudo) ou profissionais. Serão avaliadas a adequação do percurso do candidato à oficina requerida, a relevância da oficina para a atividade desenvolvida pelo candidato, e a capacidade de divulgação dos conhecimentos adquiridos. A comissão buscará priorizar membros de grupos e companhias fixas e profissionais ligados ao ensino, assim como acolher participantes de diferentes regiões do país.
Acredito que um grande ator é feito de 10% de talento e 90% de vocação, e a vocação se lapida através da formação...não conheço um cirurgião que se apresente como tal sem antes ter concluído a faculdade de Medicina e todas as horas de residências e plantões etc...mas conheço centenas de atores que se apresentam como tal sem jamais terem feito uma oficina, um ateliê, faculdade então nem pensar...não percam essa oportunidade. Formação em artes cênicas com professores top de linha no primeiro mundo e de graça? Parece piada. Mas não é, é o começo de uma bela história a qual desejo vida longa apesar dos acidentes de percurso...obrigada Guilherme, obrigada Menca, obrigada Ana, obrigada Béatrice, obrigada Jean-François pela possibilidade de estarmos todos no mesmo barco.

John Arnold, um GRANDE ator
Foto: Alain Fonteray
Em 3 de agosto de 2007, portanto há mais de dois anos, escrevi um artigo aqui em Terra Magazine sobre Olivier Py, no qual o apresentava como um dos maiores diretores de teatro da França e pedi aos poderosos do teatro no Brasil que por gentileza trouxessem um dos seus espetáculos para esse emergente cada vez mais terceiro mundo em tantas áreas fundamentais.
Afinal, Olivier Py aos 33 anos foi nomeado diretor de um Centro Dramático Nacional e aos 42 nomeado diretor do segundo teatro nacional da França, o Odéon. E aos 44 anos de idade é adorado na Alemanha, na Rússia, no Japão, no inferno e no paraíso, mas desconhecido no Brasil mesmo pelos que pensam, fazem e escrevem sobre teatro.
Pois não é que minhas preces foram ouvidas? O diabo é que eu não soube pedir, e minha mãe sempre me disse que as palavras têm forças e que saber pedir é algo fundamental. Ela tinha razão...
Pois dentro da programação do Ano da França no Brasil, na área mais pobrinha e abandonada, a de artes cênicas, algum santo conseguiu incluir uma peça deliciosa, Epístola aos jovens atores, escrita e dirigida por Olivier Py e interpretada por um ATOR em letras maiúsculas e garrafais de nome John Arnold. Cria do Théâtre du Soleil, leia-se discípulo de Mnouchkine, de um período farto de grandes atores na trupe mnouchkiniana.
Pois essa maravilha passou despercebida por São Paulo. Na maior cidade da América do Sul, com mais de 11 milhões de habitantes, não conseguiriam criar uma campanha promocional capaz de despertar o interesse de 1.500 pessoas e lotar o SESC da Vila Mariana nas três únicas apresentações da companhia.
Danilo meu caro, se você quiser, posso fazer por lá uma oficina de Assessoria de comunicação e Assessoria de imprensa, pois ano passado quando veio o Benjamin Biolay aconteceu a mesma coisa, não havia meia casa em uma única apresentação de um dos maiores nomes da nova canção francesa. Tem alguém que não está sabendo fazer o seu trabalho. Talvez porque desconheçam a França e a importância que essas pessoas têm na França (e no mundo!), não se pode "vender" aquilo que não se conhece.
Ao conversar com John Arnold após o espetáculo pedi desculpas pelas poltronas vazias. Confesso que uma semana depois ainda me pergunto qual o interesse das pessoas em trazer um espetáculo da França para o Brasil, cruzando oceanos, gastando dinheiro público dos dois países, expondo atores de prestígio e talento ao fiasco de serem assistidos por uma platéia composta na sua maioria por convidados de última hora. É uma vergonha que isso aconteça e tem acontecido com frequência em diversos eventos, em diversas cidades, no âmbito do Ano da França no Brasil, acho que está na hora de alguém fazer um mea culpa e tomar nota dos vacilos para que na hora do balanço final esses dados apareçam e tudo não se transforme num carnaval de números fictícios e de sucessos incomensuráveis, como fizeram com o Ano do Brasil na França, lá também vi Marília Pêra de casa vazia e aqui vendiam como "lotação esgotada" em todas as sessões...

Divina aos 20, aos 50 e aos 80 anos
Fotos: Divulgação
Quando conheci Tônia Carrero ela tinha 50 anos e confesso que nunca em minha vida conheci mulher mais bela, mas D. Tônia é muito mais que uma mulher linda. Ela é inteligente, culta, refinada, dona de um senso de humor delicioso, uma companheira de viagem sem igual e um ser humano como conheci poucos em minha vida.
Por isso é que lamento muito que a vida me impeça de estar no Rio de Janeiro na próxima segunda, dia 14 de setembro quando a Coleção Aplauso, leia-se Imprensa Oficial do estado de São Paulo, lançará na Livraria da Travessa/Ipanema o livro escrito por Tania Carvalho, dedicado a minha deusa loura, como costumo chamá-la.
Sempre brinco com ela dizendo que a sorte da Greta Garbo - na minha opinião, depois de Tônia a mulher mais bonita que passou por esse planeta - foi Tônia ter nascido no Brasil, tivesse nascido no primeiro mundo e Greta Garbo não teria existido.
É a dica da semana: corram para comprar o livro e abraçar Tônia Carrero, aos 87 anos ela merece todas as homenagens e todas as honras.

Liv Ullmann e Ariane Mnouchkine ontem em Oslo
Foto: Lise Aserud /Divulgação
Ariane Mnouchkine, minha Deusa maior, minha melhor diretora, meu gênio sem igual, meu último grande mito, minha heroína, a feiticeira dos meus mais belos sonhos de teatro recebeu ontem em Oslo, capital da Noruega o Ibsen Award International como recompensa pela magnífica trajetória cumprida em 50 anos de atividade como profissional. Quarenta e cinco doas quais à frente da mais importante trupe de teatro do século XX e que entra no século XXI em atividade permanente e sem concorrente.
Coisa rara, esse prêmio é composto por uma quantia importante de dinheiro: 2 500 000 coroas norueguesas, cerca de 290 mil euros, algo em torno de 800 mil reais!
Acompanhada por alguns membros do Théâtre du Soleil, entre os quais a sua, a minha, a nossa Juliana Carneiro da Cunha, Ariane recebeu o prêmio em cerimônia no Teatro Nacional da Noruega das mãos de uma outra deusa, Liv Ullman.
Para recebê-lo Ariane abriu uma concessão na agenda, pois a companhia está na reta final dos preparativos do novo espetáculo, cujo título provisório é L'Autre Route, misto de criação coletiva escrita em harmonia - como Ariane gosta de dizer - com Hélène Cixous, livremente inspirada num misterioso romance póstumo de Jules Verne.
Que romance? É justamente ai que mora o mistério diz a carta enviada aos fiéis do Soleil. Segundo a mesma carta, o espetáculo é a história de uma ilha, de um naufrágio, de uma utopia...
A estreia está prevista para 11 de novembro de 2009, feriado nacional na França pois nesse dia se comemora o final da I Guerra Mundial. As reservas já podem ser feitas na Cartoucherie de Vincennes...
Conhecendo o Soleil como eu conheço fiz uma retrospectiva básica e vi que em 45 anos Ariane jamais respeitou uma data prevista de estreia...não torço contra que não sou louca e a amo muito para isso, apenas espero que a tradição seja mantida pois chego a Paris dia 9 de dezembro e com um pouco de sorte chegarei para a estreia...
Fale com Deolinda Vilhena: deolindavilhena@terra.com.br
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