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Sábado, 12 de setembro de 2009, 07h50

Resenha: The Saga of the Seven Suns

Roberto de Sousa Causo
De São Paulo

The Saga of the Seven Suns: Veiled Alliances, Kevin J. Anderson & Robert Teranishi. La Jolla, CA: DC Comics, 2004, 94 páginas. Capa-dura. Arte de capa de Stephen Youll.

O americano Kevin J. Anderson é uma indústria-editorial-de-um-homem-só. Ele produziu novelizações e romances e antologias vinculados à criação de George Lucas, o universo de Guerra nas Estrelas, e atualmente escreve com Brian Herbert, filho de Frank Herbert, as ¿preqüências¿ da obra imortal Duna (1965). Anderson também escreveu várias HQs para a Dark Horse, vinculados aos universos de Guerra nas Estrelas, Predador e X-Files.

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Mas ele não é exclusivamente um escritor de adaptações - tem vários romances originais e sua própria série de space opera, Seven Suns, que, neste livro luxuoso e em capa-dura, se encontra com a atividade de Anderson nas histórias em quadrinhos.

The Saga of the Seven Suns: Veiled Alliances foi concebido para ser uma apresentação da série, uma espécie de prequência dos romances (que são sete).

A saga começa em 2100, quando a única esperança de sobrevivência da espécie humana num planeta Terra desgastado é o envio de onze naves de gerações, lançadas ao espaço na tentativa de encontrar novos mundos habitáveis. Passados 144 anos da jornada, um desses vasos é encontrado por uma civilização galáctica capaz de vôos espaciais mais rápidos que a luz: o Império Ildiran. As outras espaçonaves humanas são encontradas pelos ildiranos, que vão à Terra e se apresentam a o seu monarca-títere, o Rei Ben, que é dirigido dos bastidores pelo ambicioso e implacável Chanceler Stannis.

O livro é dividido em várias linhas narrativas, uma delas ambientada em Theroc, um planeta verdejante com consciência própria, capaz de transformar os humanos normais que foram colonizá-lo, em constituintes da sua consciência coletiva. É o que acontece com a jovem Thara, enquanto ela foge de um estuprador. Os colonos de Theroc perderam o uso da alta tecnologia e regrediram a um estado de quase selvageria. Essa situação de primitivismo assume uma outra face, diante do poder dessa Gaia alienígena, e Thara é enviada à Terra como embaixadora do planeta e dos seus humanos.

No planeta Dobro, colonos humanos tentam se estabelecer no planeta com um grupo de ildiranos, depois que a líder Chrysta Logan sobrevive a um motim na sua nave de gerações. Logan acaba se aproximando, romanticamente, do filho do imperador de Ildiran, e, à maneira dos pais de Spock, engravida dele. Mas a idílio é comprometido pelo rancor resultante do motim.

Em Daym, um gigante gasoso, os colonos humanos tentam reformar velhas fábricas volantes que mineram os seus gases, enfrentando problemas técnicos potencialmente fatais.

E finalmente, em Llaro, uma família de exploradores espaciais, composta da mãe Madeleine Robinson e seus dois filhos, fazem um pouco de arqueologia alienígena e encontram um esquadrão de robôs ativados por sua presença e que sequer se lembram de que foram os seus criadores.

Intrigas palacianas, tragédias pessoais, disputas partidárias, confrontos transcendentais e os dramas de personagens femininas fortes se enovelam nesta complexa saga. Apesar daquele toque de xenoarqueologia e da sugestão de choques entre classes trabalhadoras e dirigentes, The Saga of the Seven Suns: Veiled Alliances está muito feliz em ser tanto old quanto new space opera, sem medo dos clichês e das homenagens implícitas a Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço e outras obras da FC visual ou literária.

O desenho de Robert Teranishi tem um traço fino e delicado, e ele constrói o seu próprio estilo em termos de estruturas high-tech e de vestimentas. Não é exatamente um bom fisionomista, mas detalhes de figurino não deixam que a confusão entre os personagens se estabeleça. Seu desenho pende um pouco mais para a estaticidade da ilustração, do que do desenho dinâmico dos quadrinhos modernos, e suas artes, coloridas digitalmente por Wendy Fouts-Broome, integram fotografias e gráficos gerados por computador. A narrativa é econômica, quase minimalista tanto no texto quanto na arte. O que vale o livro, por outro lado, é a estupenda capa de Steven Youll, veterano capista de ficção científica.

Desta amostra da space opera de Kevin J. Anderson, o que sobressai é a complexidade trágica da condição humana, lançada por força das circunstâncias a um cenário galáctico - mesmo que fique claro que as suas quase cem páginas não conseguem transmitir todo potencial do cenário e das situações.

Escritor e crítico, Roberto de Sousa Causo é autor do romance A Corrida do Rinoceronte.

Fale com Roberto Causo: roberto.causo@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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Reprodução
"The Saga of the Seven Suns: Veiled Alliances", de Kevin J. Anderson & Robert Teranishi

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