
Lecticia Cavalcanti
Do Recife (PE)
Hoje, a palavra fica com os leitores. Semana passada lembrei Thomas Tusser, um criador de ovelhas e vacas que também fazia versos - entre eles "Five Hundred Points of Good Husbandry" (Quinhentos Pontos da Boa Agricultura), publicado em 1557, comparando as qualidades do queijo com personagens históricos e bíblicos.
Uma delas seria: "Não ser inchado e estufado, como as bochechas de Tom Piper". Então escrevi: "Não sei quem foi esse Tom Piper. Talvez apenas um tocador de flauta, amigo de Tusser, que ficava com as bochechas inchadas e estufadas ao tocar - como acontece com muitos que exercem a profissão. Agradeceria ao amigo leitor que puder informar quem seria exatamente este senhor".
Dito e feito. Recebi e-mail de Wilson Baptista Junior esclarecendo tudo: "Tom Piper é um personagem popular inglês da Idade Média, onde em determinadas festas (Morris-dances) o flautista personificava este personagem".
Ainda citando a fonte - um livro de 1849, Popular Antiquities of Great Britain ("Antiguidades Populares da Grã Bretanha"), de John Brand e Sir Harry Ellis, que inclusive descreve as roupas por ele usadas: "o boné de Piper é vermelho forrado de amarelo, seu casaco é azul com mangas azuis forradas de amarelo e com fita vermelha no pulso, seus sapatos são marrons". Obrigada Wilson Baptista.
Já o leitor Carlos Cavalcanti escreveu para dizer que, lendo "História dos Sabores Pernambucanos", lembrou de sua infância na "Venda de seu Distinto", onde comprava para a mãe os ingredientes da feijoada - charque, costeleta salgada, lingüiça matuta fina, "penduradas em um cabo de vassoura no teto da barraca e postas na caderneta para pagar no fim do mês". Tudo carregado por ele mesmo, em carro de mão. Em um tempo em que, segundo ele, "a charque vinha em caixote, o feijão e a farinha eram vendidos em sacos com as bordas enroladas, os embutidos ficavam em latas conservados na gordura de porco, e os legumes eram vendidos na feira".
Para encerrar, diz que o livro o fez "viajar nos bons tempos dos carrinhos de rolimã, quando empinava papagaios, jogava bolas de gude, brincava de guarda e ladrão com badoque e bala de carrapateira". Que bom Carlos. Lembranças da infância são sempre boas. E espero, inclusive, que outros leitores sintam o mesmo.
INGREDIENTES:
1 pernil (aproximadamente 4 kg)
2 garrafas de cerveja preta
3 colheres de sopa de mel
½ copo de uísque
1 cabeça de alho amassada
1 bouquet garni (salsa, alecrim, louro, salsão e alho-poró)
1 punhado de pimenta em grão
Sal
Folhas de manjericão para a decoração
Batatas e cebolas para o acompanhamento
PREPARO:
- Tempere o pernil com todos os ingredientes e deixe na geladeira por 24 horas.
- Coloque o pernil em um tacho, com todos os ingredientes do tempero. Cozinhe por duas horas.
- Coloque o pernil em uma assadeira e leve ao forno. Regue com o líquido do cozimento e um pouco de azeite. Deixe no forno até que doure. De vez em quando, abra o forno e regue com o molho que se formou na assadeira. No meio do processo, coloque as batatas e cebolas inteiras. Decore com folhas de manjericão.
- Sirva com pudim de batata-doce.
Fale com Lecticia Cavalcanti: lecticia.cavalcanti@terra.com.br
Terra Magazine
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Divulgação
Lembranças da feijoada materna: charque, costeleta salgada, lingüiça matuta fina
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