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Sábado, 12 de setembro de 2009, 07h49

Disputa olímpica no campo das relações públicas

Paulo Nassar
Direto de Chicago (EUA)

Os esforços de relações públicas começam logo na chegada, ao desembarcar e percorrer os túneis que levam ao prédio do aeroporto de Chicago, EUA. Para quem chega, fica claro: a cidade quer sediar as Olimpíadas em 2016 e trabalha para isso.

Abrigar um evento como esse, que recebe atletas e turistas de quase 200 países, significa muito, muito, dinheiro injetado na economia da cidade e dos Estados Unidos da América. Daí o slogan "Let friendship shine". Isso sem falar nas possibilidades de comunicação indireta. A China, por exemplo, nas Olimpíadas de 2008, investiu bilhões de dólares para mostrar ao mundo sua cultura milenar, a imagem de unidade entre seus bilhões de habitantes, apesar das etnias, e sua capacidade realizadora ao colocar de pé, dentro do prazo, seus espetaculares estádios esportivos.

Chicago planeja aproveitar o lago Michigan, sua tradição arquitetônica, a beleza escultural da cidade, que concentra obras de gênios como Frank Gehry, Anish Kapoor, Renzo Piano, Frank Lloyd Wright, Mies van der Rohe, para apresentar ao mundo uma Olimpíada grandiosa. Muito além das lembranças retocadas por Hollywood na figura da Máfia e Al Capone, do começo do século passado.

Chicago faz hoje campanha de relações públicas e de comunicação para vencer Tóquio, Madri e Rio de Janeiro. E tem um aliado muito forte: a máquina do governo Barack Obama, que construiu na cidade as bases de sua carreira política. Um respeitável cabo eleitoral, tanto na captação de patrocinadores, apoiadores, gente interessada em fazer o mercado norte-americano girar, como no aspecto político da segurança, para milhões de turistas e milhares de atletas de todo o mundo, ninguém a fim de encontrar bala perdida, roubo ou ato terrorista.

Chicago tem cotação elevada na bolsa de apostas para as Olimpíadas de 2016. Especialmente porque Madri, Rio de Janeiro e Tóquio têm desvantagens significativas nesta disputa. Os grandes eventos olímpicos têm se realizado nos continentes em que estão Madrid e Tóquio. A Olimpíada de 2012 será em Londres. O Rio de Janeiro tem reputação de cidade violenta e desigual, e é pouco lembrada por suas belezas naturais. Tanto que, coincidentemente, nesta última quinta-feira, o "The Wall Street Journal" trouxe uma reportagem de capa sobre um novo símbolo de status entre os ricos brasileiros: o carro blindado. Segundo a matéria, são mais de 120 empresas no Brasil, que se dedicam a blindar carros, negócio impulsionado pelo ambiente social. A reportagem impressa oferecia um vídeo sobre o desejo dos endinheirados brasileiros. Ou seja, comunicação que só piora a percepção do mundo sobre o nosso país. Esta imagem, com certeza, não contribui para que, em 2016, a Olimpíada seja no Rio de Janeiro.


Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.


Fale com Paulo Nassar: paulo_nassar@terra.com.br

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Charles Voogd/Wikipedia/Divulgação
Chicago precisa vencer Tóquio, Madri e Rio para sediar Olimpíadas

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