
Alexandre Xavier
De São Paulo
Na última quarta-feira o Brasileirão 2009 completou exatamente dois terços. A essa altura do campeonato já é possível vislumbrar com mais clareza quem terá gasolina para chegar ao pódio e quem ficará pelo caminho. Os 20 times do grid estão assim:
1) Palmeiras: Ainda não "deu liga", como diz o piloto Muricy (e nem poderia, o time mudou muito em relação ao que começou o torneio). Mas em jogos decisivos, o time explica o porquê é líder. Foi assim contra o Cruzeiro e Galo no Mineirão, e contra o São Paulo, Corinthians e Inter. Se der liga logo, não verá mais ninguém no retrovisor. Se não der, vai sofrer até o fim.
2) São Paulo: Com 13 rodadas para o fim do torneio, Jason tinha caminho livre para ultrapassar todo mundo. Mas o número cabalístico não deu sorte. E o São Paulo não joga bem faz é tempo. Ganhou jogos, nos acréscimos, sem fazer por merecer (contra o Sport, Vitória, Cruzeiro) e foi parar na ponta da tabela. Mas, embora vitorioso, o carro do São Paulo é modelo 2008. E o piloto é novato. Se essa combinação resultar em Libertadores, está de bom tamanho.
3) Internacional: É aquele Fórmula 1 detentor da volta mais rápida, mas que não lidera a prova. O time tem o melhor ataque do BR09 e é o que mais boas partidas fez no torneio. Mas não consegue retomar a liderança. Na hora da ultrapassagem, o carro colorado rateia, sai de traseira, pisa na grama... Carro para chegar em primeiro, o piloto (barbeiro?) Tite tem. E tem também em mãos o time que menos mudanças sofreu no elenco desde o início do campeonato. Falta ao Inter aprender a pegar o vácuo.
4) Goiás: Ao contrário de Inter e Palmeiras, que têm um peso enorme nas costas, o Goiás corre livre, leve e solto. O contraponto é que a falta de pressão da torcida é também um problema. O Serra Dourada é praticamente campo neutro. Não à toa a campanha do time fora e dentro de casa é a mesma. O Goiás acelera forte, tem um piloto que não tem medo do perigo. Se bater? Bateu.
5) Atlético-MG: Até aqui o piloto do Galo, Celso Roth, fez milagre. Não é fácil levar uma Sauber ao pódio. Mas essa parada nos boxes das contratações parece ter sido muito bem utilizada pela diretoria do Atlético. Se Ricardinho e companhia entrarem bem no time, Celso Roth (como tem sido de praxe) e a massa atleticana levam o time de volta ao G4.
6) Grêmio: Vem voando baixo. Se a vitória nos Aflitos representar uma guinada na performance do time como visitante, a Libertadores 2010 contará com o Grêmio. Isso, claro, levando em consideração que o gás do Sousa, o combustível do time, vai durar até o fim.
7) Avaí: Tem um time promissor, tem o piloto revelação do campeonato (Silas), tem uma torcida que faz diferença. Mas falta motor. No Brasileirão, sem uma escuderia de tradição e sem uns cavalos (ou artilheiros) a mais de potência, não há kers ou difusor que leve o time ao título.
8) Flamengo: Falta piloto. E tempo. Escuderia e potência o Flamengo tem de sobra. Adriano e Denis, Marques; Pet, Maldonado, Kléberson e Willians; Léo Moura e Juan; Álvaro e Deivid (e Bruno no gol). É um time que tem potencial para dar no G4. Pena que o box do Flamengo é da categoria da Minardi.
9) Corinthians: De todos os concorrentes, tem o macacão mais parecido com o de uma equipe de Fórmula 1. No campo, Mano Menezes se preocupa em montar o time para 2010. O Brasileirão, fazer o quê, está e ficará em segundo plano.
10) Vitória: Parece a Red Bull Racing. Incomoda os líderes, tem um time jovem, talentoso e com futuro. Mas, para o presente, nada além disso.
11) Barueri: Se jogasse com a camisa do Botafogo, estaria beliscando o G4. Mas, com uma escuderia coadjuvante, corre tão por fora que ninguém vê. De vez em quando arranha o carro dos outros.
12) Santos: Não passa da quarta marcha. Tem um piloto pentacampeão brasileiro, um goleador, um volante de Seleção Brasileira e um super craque do futuro. Mas todo mundo em má fase. Cumpre tabela e só.
13) Cruzeiro: É o Desmanche Futebol Clube. Só não vendeu a mãe porque não veio uma boa proposta da Europa. Mas mesmo com a troca das peças com o carro em movimento, o piloto Adílson não deixou o Cruzeiro sair da pista. G4? Não. Rebaixamento? Também não.
14) Atlético-PR: Deu uma arrancada com a chegada do piloto/delegado Antônio Lopes. O turbo parece, porém, ter acabado. E o piloto não tem muita margem de manobra. Nem margem de erro. Se vacilar, vai no muro e cai pra Segundona.
15) Coritiba: Derrapa demais. Tem bons jogadores e um piloto competente, mas é difícil correr no pelotão de trás. Muita gente, pista suja, visibilidade ruim. Não deve cair, mas a Sulamericana é uma vitória ainda distante.
16) Náutico: Escuderia sem dinheiro e carro desregulado (tem um Carlinhos Bala que joga muito no ataque e um time que não o acompanha). O Náutico está tão fraquinho que a torcida precisa empurrar. Sem empurrar o carro não anda, mas nos Aflitos o time tem pegado no tranco. Se a ajuda não cessar, o Timbu pode escapar da degola na última curva. E no photosharp.
17) Santo André: Carro de passeio correndo na Fórmula 1. E sem gasolina para chegar ao final. Série B 2010.
18) Botafogo: Se jogasse com o elenco do Barueri, estaria beliscando o G4. Não é o caso. Mas o time carioca, embora possua uma equipe sofrível, tem feito boas partidas. O problema é conseguir vencer. Sempre tem um prego ou um juiz no caminho do Botafogo. Se o o Fogão fosse um carro de Fórmula 1, com certeza uma peça do carro do Rubinho o atingiria na testa. Rebaixamento? Não seria justo. Só que o Engenhão precisa encher mais para que a justiça seja feita.
19) Sport: Carro quebrou, o piloto sumiu e o conserto pós-Libertadores foi apenas um remendo. Resultado? O time deu pane elétrica, o piloto foi mandado embora, chamaram o guincho... Resultado? Série B 2010.
20) Fluminense: Retardatário é apelido. Já teve 19 pilotos, mas ninguém conseguiu fazer o carro pegar. O problema do Flu, no momento, é um só: se não reformular o elenco, não volta para a Série A em 2011.
Fale com Alexandre Xavier: alexandre_xavier@terra.com.br
Terra Magazine
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Ricardo Ayres/Photocamera/Divulgação
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