Atualizada às 15h03 |
José Cruz/Agência Brasil
Maluf não comenta restrição de candidatos "ficha-suja": "Meu celular é para coisas urgentes"
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Thais Bilenky
O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) considera que a restrição da participação de políticos "fichas-suja" nas eleições não é uma questão "urgente". Terra Magazine telefonou para o celular do deputado para consultá-lo a respeito do projeto elaborado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que reuniu 1,3 milhões de assinaturas.
- Deputado Maluf, qual a avaliação do senhor sobre esse projeto de iniciativa popular?
O movimento levará o projeto nesta terça-feira, 29, à Câmara dos Deputados. Maluf interrompe:
- Meu amor, o meu celular é para coisas muito urgentes. Quando você quiser falar comigo para bater um papo, liga para o fixo.
A reportagem diz ao deputado que a matéria está na pauta do dia. Maluf:
- Você não vai conseguir nada porque você invadiu meu celular. Meu celular é para coisas urgentes. Vou lhe dar meu telefone fixo... aí a secretária me passa o telefone, porque agora estou com outros deputados, aqui, em reunião. Tá?
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Terra Magazine solicitou entrevista com Paulo Maluf à sua secretária e aguarda retorno. O deputado já foi condenado em ações de improbidade administrativa, que determina a devolução de valores supostamente desviados durante sua administração na prefeitura de São Paulo. Maluf foi acusado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As denúncias contra ele na esfera criminal tramitam há mais de dois anos no Supremo Tribunal Federal, que ainda não apreciou se os processos devem ser abertos ou não.
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral informa, em seu site, que tem por objetivo "aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo (entre outros):
- "Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal - no caso de políticos com foro privilegiado - em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas.
- "Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
- "Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa".
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), defendeu o projeto. "A iniciativa é uma demonstração prática do amálgama de democracia direta e representativa que é a Constituição", afirmou.
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