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AP
O presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, afirma que só vai passar a faixa presidencial em 27 de janeiro de 2010. "Será uma honra e satisfação passar a faixa ao eleito"
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Redação Terra Magazine
Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, o presidente do governo golpista de Honduras, Roberto Micheletti, afirma que só passará a faixa presidencial em 27 de janeiro de 2010 e que Manuel Zelaya foi deposto porque se aproximou de um "populismo ao estilo chavista".
- ...o ex-presidente Zelaya no seu início teve as melhores intenções para desenvolver um bom governo, no entanto, no transcorrer do seu mandato foi divorciando o seu discurso e a sua ação rumo a um claro populismo ao estilo chavista. O resto é história, os incontáveis atos de corrupção e lesa-pátria ficaram nos anais da história hondurenha - ataca Micheletti.
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O autodeclarado "presidente de facto" de Honduras, que assumiu o poder após a deposição de Zelaya, respondeu a perguntas enviadas por e-mail antes do decreto que suspendeu direitos civis no País. A assessoria presidencial hondurenha encaminhou somente nesta terça-feira as respostas de Micheletti às questões apresentadas na semana passada.
Para o líder hondurenho, Zelaya instiga seus seguidores ao vandalismo. "Quero fazer um chamado à comunidade internacional para que levem uma mensagem ao ex-presidente Zelaya, para que ele não siga instigando seus seguidores à violência", pede o ex-presidente do Congresso e atual mandatário. Ele volta a garantir que zelará pela integridade da embaixada brasileira, onde se encontra abrigado o presidente deposto Manuel Zelaya.
- Como todos sabem, o processo de diálogo segue adiante e como falei reiteradamente, utilizarei todo o poder que me outorga a Constituição de Honduras para trabalhar por um acordo para resolver a crise atual e para que o processo eleitoral seja concluído com um final feliz no próximo dia 29 de novembro.
Leia a íntegra da entrevista.
Terra Magazine - Com toda essa crise no País, a falta de apoio internacional, as manifestações, etc., como foi a sua gestão na presidência de Honduras nestes três meses? Quais foram os principais ganhos da sua gestão nesse período? Quais setores da sociedade apoiam o seu governo?
Roberto Micheletti -
Muito obrigado pela oportunidade de me dirigir a vocês. Quanto à sua pergunta, acho que o principal ganho foi do povo hondurenho, já que a nossa Constituição e as nossas leis permanecem intactas. Não tenho dúvida alguma de que a maioria das hondurenhas e hondurenhos apoia as nossas ações e isso ficou evidente nas múltiplas marchas de milhares e milhares de compatriotas que representam igrejas, associações de mulheres, jovens, taxistas, mães de família, a empresa privada e a sociedade civil em geral, realizadas em todo o país.
Coincidimos com essa grande maioria que a solução para a crise atual são as eleições do dia 29 de novembro, em que os hondurenhos decidirão quem será o nosso próximo presidente da República, nossos prefeitos municipais e deputados do Congresso Nacional, seguindo ao pé da letra o que foi estabelecido na Lei Eleitoral. O Tribunal Supremo Eleitoral é um chamado para zelar pelo legítimo processo eleitoral, iniciado no governo do ex-presidente Zelaya, para que se desenvolva com total transparência, legalidade e imparcialidade.
O senhor também é candidato à presidência?
De forma alguma, a nossa Constituição me impede e, tal como eu disse durante a minha gestão como Presidente Constitucional de Honduras, será uma honra e satisfação passar a faixa presidencial ao próximo presidente eleito, no dia 27 de janeiro de 2010.
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas rejeita as ações militares contra os partidários de Manuel Zelaya. O senhor leva em consideração a opinião desses órgãos internacionais?
Quero enfatizar que durante os meses em que o ex-presidente Zelaya permaneceu fora do nosso País, vivemos em paz e tranquilidade. As forças policiais se empenharam muito para zelar pela integridade das pessoas e dos seus bens, seguindo à risca os direitos humanos. No entanto, com o retorno do ex-presidente Zelaya, o mundo pôde constatar vandalismo perpetuado por seus seguidores. Esses atos tentaram gerar terror na população, por isso instruímos a Policia Nacional a usar medidas apropriadas para evitar o que, sem sombra de dúvida, deve ser catalogado como atos delitivos com claros indícios de insurreição.
Quero fazer um chamado à comunidade internacional para que levem uma mensagem ao ex-presidente Zelaya, para que ele não siga instigando seus seguidores à violência e pedir prudência para que voltemos a viver em paz e com democracia em Honduras.
Por que o senhor não acatou as decisões dos órgãos internacionais de devolver a presidência a Manuel Zelaya?
Porque a nossa constituição e as nossas leis não o permitem. Tal como estamos manifestando enfaticamente os três poderes do Estado Hondurenho, a destituição do ex-presidente Zelaya foi baseada na lei, seguindo os procedimentos legais pré-estabelecidos na Constituição da República. Nesse sentido, quero fazer referência ao relatório gerado pelo Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos (CRS), o qual conclui que a remoção do ex-presidente Zelaya foi realizada de forma legal e constitucional.
Como planeja resistir ao isolamento internacional, sendo que até as Nações Unidas retiraram os seus observadores eleitorais?
Como todos sabem, o processo de diálogo segue adiante e como falei reiteradamente, utilizarei todo o poder que me outorga a Constituição de Honduras para trabalhar por um acordo para resolver a crise atual e para que o processo eleitoral seja concluído com um final feliz no próximo dia 29 de novembro.
Nesse contexto, tenho certeza de que contaremos com renomados observadores internacionais, para avaliar o processo eleitoral hondurenho antes, durante e depois dos comícios do dia 29 de novembro, nesta que promete ser a eleição mais disputada da nossa história democrática.
Como o senhor analisaria o governo de Zelaya até o dia 28 de junho? O senhor acha que ele fez coisas boas na presidência? Quais?
Na minha opinião, o ex-presidente Zelaya no seu início teve as melhores intenções para desenvolver um bom governo, no entanto, no transcorrer do seu mandato foi divorciando o seu discurso e a sua ação rumo a um claro populismo ao estilo chavista. O resto é história, os incontáveis atos de corrupção e lesa-pátria ficaram nos anais da história hondurenha.
Como o senhor vê a acolhida oferecida pelo Brasil a Manuel Zelaya? Em entrevista a Terra Magazine, o assessor da presidência, Marco Aurélio Garcia, garantiu que se tratava apenas de uma acolhida, não política, já que não houve esse pedido por parte do presidente deposto.
Segundo declarações do ex-presidente Zelaya, a decisão de se refugiar na representação do Brasil foi uma decisão pessoal e com o consentimento do presidente Lula, do chanceler (Celso) Amorim e do encarregado dos negócios na representação de Tegucigalpa. Na realidade, isto foi orquestrado por várias partes, no entanto, o nosso governo disse reiteradamente que se zelasse pela integridade da missão, do ex-presidente, da sua família e de seus seguidores.
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