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Sexta, 2 de outubro de 2009, 14h28 Atualizada às 15h38

Histórico do Pan faz Olimpíadas preocuparem Transparência BR

Marcela Rocha

Em entrevista a Terra Magazine, Fabiano Angélico, coordenador de projetos da ONG Transparência Brasil, se diz "imensamente preocupado" com a escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016. "Tivemos uma experiência traumática dos Pan-americanos", acrescenta.

O Rio de Janeiro venceu a batalha contra Chicago, Madri e Tóquio e foi anunciada nesta sexta-feira pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Com a vitória da cidade brasileira, a América do Sul receberá pela primeira vez uma Olimpíada em um dos seus países.

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Na primeira fase, Chicago foi eliminada com apenas 18 votos. Madri liderou a primeira parcial, com 28, seguida por Rio (26) e Tóquio (22). A segunda etapa já teve o Rio bem na frente, com 46, contra 29 dos espanhóis e 20 dos japoneses, que saíram da briga.

A ONG de combate à corrupção, evocada pelo ministro dos esportes, Orlando Silva, para fiscalizar a Copa de 2014, também no Brasil, avalia que houve falta de planejamento nos Jogos Pan-americanos de 2007. "Acredito que como temos à frente, uma Copa e uma Olimpíada, algo deve servir como aprendizado", diz Angélico.

Leia abaixo a entrevista:

Terra Magazine - Acredita que a estrutura do Pan poderia ser aproveitada? Muito do construído não possui padrão olímpico. Na verdade, apenas o velódromo. O presidente Lula evocou o sucesso obtido nos jogos Pan-americanos, foi um bom exemplo?
Fabiano Angélico -
Certamente o que aconteceu no Pan foi um desastre total. Em todos os sentidos e principalmente na falta de planejamento. Acredito que como temos à frente, uma Copa e uma Olimpíada, algo deve servir como aprendizado. Alguns tribunais de contas pelo menos têm anunciado que vão construir uma rede de troca de informações.

No Pan, os gastos ultrapassaram 684% acima do previsto...
Existe uma diferença entre os gastos da prefeitura e do governo federal. No caso do Pan, a prefeitura não deu conta e o governo teve de intervir. Então, precisamos atentar aos gastos do município. A impressão que eu tenho é que os estrangeiros se preocupam muito com a segurança, no Pan, felizmente, não houve nada grave em questão de segurança pública, por outro lado, houve superfaturamento e desvio de verba pública.

O ministro disse que a Transparência Brasil acompanharia todo o processo. Isto está acontecendo?
Nos preocupa imensamente. Tivemos uma experiência traumática dos Pan-americanos. O problema de falta de controles é generalizado. Não somente nos esportes. É preocupante a responsabilidade de termos que construir coisas sem o devido controle. Por outro lado, não há mais o que fazer agora. Não dá para desclassificar o Rio, temos que lidar com a situação.

Como?
Todos nós devemos construir mecanismos de controle mais eficazes do que no Pan. É importante trabalhar, não adianta só externar a preocupação. Precisamos mudar os mecanismos do estado, reforçar o trabalho de tribunais de contas, de controladorias.

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