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Quinta, 8 de outubro de 2009, 14h01 Atualizada às 15h23

Caiado: Governo ameaça parlamentar para não criar CPI do MST

Antônio Cruz/ABr/Agência Brasil
A senadora Kátia Abreu e os depuatdos, Onix Lorenzoni e Ronaldo Caiado na Secretaria-Geral do Senado com o pedido de criação de CPI para investigar ...
A senadora Kátia Abreu e os depuatdos, Onix Lorenzoni e Ronaldo Caiado na Secretaria-Geral do Senado com o pedido de criação de CPI para investigar repasses de verbas públicas ao MST

Marcela Rocha

O Senado já conseguiu. Agora falta a Câmara. A criação da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar repasses públicos para financiar ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outras entidades sociais precisa de pouco para conquistar as 171 assinaturas necessárias. O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (DEM-GO) é responsável junto a Ônix Lorenzoni (DEM-RS) pela tarefa na Casa. Para ele, a captação foi lenta devido a "ameaças do governo":

- O governo está ameaçando não repassar verbas, ameaçando o parlamentar que tenha algum caso (complicações) no Governo Federal, ameaçando com retaliações na campanha do ano que vem. Todo esse tipo (de ameaça) está sendo utilizado para inibir os parlamentares.

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A quantidade mínima de assinaturas necessárias para que a comissão seja aberta é de 171. Segundo Caiado, até o meio dia desta quinta-feira, já tinham recolhido 157. O objetivo da bancada ruralista é expressa por Caiado:

- Não conseguimos destruir o laranjal do Guilherme Cassel (ministro do Desenvolvimento Agrário). Nós queremos destruir o MST para derrubar as ONGs - todas laranjas - que repassam dinheiro para o MST. Esse é o laranjal que queremos derrubar. O ministro Cassel está 100% envolvido nesse repasse criminoso de dinheiro público ao MST - ataca o líder do DEM.

Nesta quarta-feira, 350 militantes do MST foram retirados da fazenda do grupo Cutrale em Borebi (SP), 311km da capital. Os manifestantes ocuparam o local sob a alegação de se tratarem de terras públicas. Sete mil pés de laranja foram destruídos, tratores, sistemas de irrigação e caminhões foram danificados. O prejuízo é estimado em R$ 3 milhões.

"Existe uma indignação muito maior no seio da sociedade do que dentro do Congresso Nacional", lamenta Caiado. "Mas não vamos perder o timing", diz para depois ressaltar que, devido aos acontecimentos recentes, "o momento é propício" para captar mais assinaturas.

O deputado goiano diz ter uma carta na manga para evitar que novamente, às vésperas da instalação, parlamentares retirem suas assinaturas. Na quarta-feira, 30 de setembro, a CPMI do MST foi cancelada por falta de assinaturas. Somente 168 deputados mantiveram suas assinaturas - três a menos do que o exigido.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - O senhor espera que até o final do dia já tenha as assinaturas necessárias?
Ronaldo Caiado -
A coleta de assinaturas não determina quando e como faremos o que deve ser feito. Isto é uma estratégia que ainda será decidida por nós. Não vou tornar pública essa estratégia, mas faremos para fugir de todos esses ataques do governo.

Quais ataques?
A retirada de assinaturas.

E o senhor não tem receio de que isso aconteça novamente? Que na hora "H" os deputados ou senadores retirem as assinaturas?
Por isto é que não estou tornando pública a minha estratégia. Tanto é que não estou dizendo como é que vamos jogar esse jogo. É uma manobra interna, regimental, estrategicamente falando.

Corre o risco de o senhor não apresentar?
Vamos, com certeza vamos. O que não vamos apresentar é: como e quando faremos isso. É o timing, entende? Se nós já sofremos uma perda de 45 assinaturas na outra ocasião, desta vez temos que ter mais cautela, destreza, cuidado, para não sermos novamente golpeados pelo governo.

Como o senhor fez, então, para conquistar mais assinaturas, tendo em vista que o senhor disse ter sido golpeado pelo governo na outra ocasião? Como foi o seu trabalho de convencimento para obter essas assinaturas tão rapidamente?
Minha análise é diferente da sua. Não acho que foi rápido não. Pela indignação da sociedade brasileira ante os atos praticados pelo MST, nós já deveriamos ter um número superior ao que já temos. Isso mostra ainda a força de opressão do governo.

Como assim?
Se não fosse essa ameaça do governo a cada parlamentar já teriamos muito mais assinaturas. O governo está ameaçando não repassar verbas, ameaçando parlamentares que tenham algum caso no Governo Federal, ameaçando com retaliações na campanha do ano que vem. Todo esse tipo está sendo utilizado para inibir os parlamentares. Por isto que digo: está sendo uma captação lenta. Existe uma indignação muito maior no seio da sociedade do que dentro do Congresso Nacional. Os parlamentares têm consciência de que serão retaliados pelo governo. Ou seja, é o uso da máquina em coagir, em tentar intimidar.

Parlamentares da base e da oposição?
Da oposição também tem alguns, mas em porcentagem menor.

O senhor está nessa porcentagem?
O que você acha?

Não sei...
Aqui ninguém tem mais independência de ação do que eu, modéstia à parte.

Então tá. Deputado, sobre essa estratégia, o momento, o o timing, como o senhor disse, é favorável?
Sim, e nos estados temos apoio das entidades para que interroguem os parlamentares sobre o porquê de não terem assinado a CPMI. Quando atingirmos os números faremos a articulação regimental interna. Mas não perderemos o timing. E sim, o momento é propício, mas não conseguimos destruir o laranjal do Cassel (ministro do Desenvolvimento Agrário). Nós queremos destruir o MST para derrubar as ONGs - todas laranjas - que repassam dinheiro para o MST. Esse é o laranjal que queremos derrubar. O ministro Cassel está 100% envolvido nesse repasse criminoso de dinheiro público ao MST.

O senhor acha que depois das baixas que cancelaram a CPMI, ficou mais difícil de recolher tudo novamente?
As coisas não estão faceis. A dificuldade é enorme, enorme, enorme, enorme... Enorme mais uma vez.

Deputado, uma última pergunta, a Comissão Pastoral da Terra emitiu uma nota dizendo que se critica muito o MST, mas poucas pessoas falam sobre a rolagem da divida rural. Como o senhor vê isso? Essa rolagem é legítima, não causa prejuízos ao Estado?
Que comparação infeliz. Quer dizer que todo cidadão brasileiro que negociou uma dívida é criminoso como o MST? Que comparação infeliz. Todas as minhas negociações foram por normas legais, aprovadas no Congresso. Essa é uma comparação extremamente infeliz, é uma coisa que não tem nada a ver. Pra você ver, por falta de argumentos, eles saem nessa maluquice de tentar achar um argumento para algo que é indiscutivelmente inaceitável, chocante.

 

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