
Atualizada às 10h17 Thais Bilenky
A carreira da escritora Clarah Averbuck, 30 anos, gaúcha, radicada em São Paulo e recém-casada, começou na internet. No final dos anos 1990, ela e amigos se lançaram no fanzine eletrônico CardosOnline. Clarah, em três anos, propôs-se a um projeto solo e deu certo. O seu blog já passou por outros endereços virtuais: "Brazileira!Preta" e "Adiós Lounge", de enorme sucesso que, geração 21, levou-na ao papel.
Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante (7 Letras, 2003) coleta posts do "Adiós Lounge". É seu segundo livro. O primeiro, Máquina de Pinball (Conrad, 2002), foi adaptado ao teatro e ao cinema. Geração multimídia. Publicaria ainda Vida de Gato (Planeta, 2004) e Nossa Senhora da Pequena Morte (Editora do Bispo, 2008).
Veja também:
» Siga Bob Fernandes no twitter
Por mais que diga ser "mais fácil parar de publicar na internet e publicar apenas livros impressos", Clarah Averbuck parece bastante conectada. Em menos de meia hora, responde a dez perguntas enviadas - a seu pedido - por e-mail. A Terra Magazine, a escritora diz que mantém o blog "porque gosta de escrever sem prazo e sem pauta". Mas em seu diário online, certa feita confessou: "estava até com constipação intestinal de não poder escrever"...
Há poucos dias se casou com Reginaldo Lincoln. Fotos e relatos estão no blog (clarahaverbuck.virgula.uol.com.br/). "Estou empenhada na minha banda/casamento e em terminar meu terceiro romance, Eu quero ser eu (CosacNaify)", conta. A banda conjugal é Oneyedcats e tocará no Rio de Janeiro (Projeto Gloss) em novembro. Leia mais a seguir.
Terra Magazine - Você se lançou via internet, pelo CardosOnline, e paralelamente à "carreira impressa", traçou um percurso na internet. Qual é a relação entre essas duas linguagens (se é que você considera que sejam mesmo duas) no seu trabalho?
Clarah Averbuck - A linguagem que eu uso é a mesma, a única coisa perdida é o recurso do link, que não deixa de ser uma espécie de nota de rodapé.
O que o seu blog siginifca para você? Por que você o mantém?
Porque eu gosto de escrever sem prazo e sem pauta.
Comenta-se que você teria planos de não publicar mais livros no formato tradicional, impressos, via editora etc. E que você seguiria publicando apenas na internet. De alguma forma procede?
Nunca. É mais fácil eu parar de publicar na internet e publicar apenas livros impressos.
Como é a relação entre escritor e editora no Brasil? Você conta que passou dificuldades financeiras ao chegar a São Paulo. Há resistência aos escritores jovens, tanto das editoras quanto do público?
Livro não dá dinheiro. Escrever no Brasil é como cantar para surdos. Eu nunca tive dificuldade em arrumar editora, já tinha o contato da Conrad devido ao CardosOnline - acho que todo mundo lá assinava - e depois do primeiro, tudo fica mais fácil. Fácil de publicar, não de vender. O que sustenta são freelas, bienais, mesas redondas e projetos paralelos.
Você imagina um perfil do seu leitor?
Menor idéia. Espero que seja toda sorte de pessoa desprovida de preconceito.
O seu estilo é bastante familiar à linguagem da sua geração. Acha que isso pode te datar a longo prazo?
Acho que pode ser um retrato de uma geração. Isso não data.
Quem você gosta de ler, a qualquer momento? Quem você está lendo?
Carmen da Silva, uma escritora sensacional e esquecida que deveria ser republicada e entrar no currículo das escolas. John Fante, Bukowski e Leminski sempre me caem bem. Agora estou lendo o único romance do EE Cummings, The enormous room. E quandrinhos, sempre. Acabo de ler Maus, de Art Spiegelman. É genial.
Quem você desistiu de ler?
Metade do currículo escolar. Minto, mais da metade. Por isso os adolescentes acabam com a impressão de que ler é chato. Quem é que vai aprender a gostar de ler com A moreninha (de Joaquim Manoel de Macedo)?
Qual sua opinião sobre leis de incentivo à cultura, como a Rouanet? Acredita que são processos que democratizam o acesso à cultura ou, na prática, não alteram a realidade cultural do país?
Desculpe, eu sou uma anta em processos burocráticos. Mas acho importante qualquer incentivo à cultura, mesmo que os resultados sejam mínimos.
Em que você está empenhada ultimamente? (Vale responder: no casamento).
Rá. Não deixa de ser verdade, já que eu toco com meu marido. Acabamos de ser selecionados para tocar no Rio de Janeiro no projeto Gloss, da Oi Novo Som. Estou empenhada na minha banda/casamento e em terminar meu terceiro romance, Eu quero ser eu, contemplado pelo prêmio Petrobras Cultural e a ser publicado pela Cosac Naify. A banda você pode escutar aqui:
http://www.oinovosom.com.br/oneyedcats
http://www.myspace.com/oneyedcats
Aqui tem o resultado do Projeto Gloss. Repare como meu nome está escrito corretamente (está escrito "clara avenbuck"). Rarara. Mas estamos felicíssimos com a seleção.
http://mundooi2.oi.com.br/
materia_musica_3/91651_Saiu_o_resultado_do_Projeto_Gloss.html
Terra Magazine
|
Divulgação
Clarah: "Escrever no Brasil é como cantar para surdos"
|