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Segunda, 19 de outubro de 2009, 13h47 Atualizada às 15h15

Maia: para não confrontar Lula, Aécio é o mais indicado

Carolina Oms

O deputado federal Rodrigo Maia (RJ), presidente do Democratas, principal aliado do PSDB, acredita que a candidatura do tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, corresponde mais à estratégia, colocada pelos dois pré-candidatos, de não entrar em um confronto aberto com o presidente Lula.

Para o deputado, Aécio tem maior capacidade de "agregar": "traz novos aliados e poder de mexer nesse processo político, onde o governo, nesse momento, caminha sozinho".

O presidente do DEM também critica a demora na escolha do candidato tucano à presidência. Alega que "a postura dos palanques regionais avançou muito pouco pela falta de um nome". "Essa é uma opinião que é minha e que é colocada hoje pelo próprio PSDB", completa.

Sobre as supostas pressões que o PSDB tem exercido para que o DEM não tente adiantar a escolha do candidato e sobre o almoço entre Democratas, tucanos e Peemedebistas, ao qual ele não teria sido convidado, o deputado é taxativo:

- Essa não é uma questão relevante, o relevante é que se possa ter o melhor candidato, a melhor chapa e os melhores palanques regionais para ganhar a eleição. Essa questão das intrigas eu deixo para as colunas de jornal.

Leia a entrevista:

Terra Magazine - O senhor tem defendido a candidatura do governador Aécio Neves para as eleições de 2010. Por que acha que Aécio é a melhor escolha?
Rodrigo Maia -
A candidatura do Aécio tem, nesse momento, uma capacidade maior de agregação, o governador de Minas tem um bom trânsito entre os outros partidos e já que a decisão foi por um caminho de retardamento do processo pré-eleitoral, pré-político. Porque você tem dois momentos para a oposição, o momento em que a oposição faz o contraponto e também o processo eleitoral.
Então eu acho que a candidatura do governador Aécio vai representar uma capacidade de agregar, trazer novos aliados e poder mexer nesse processo político, onde o governo, nesse momento, caminha sozinho.

Esse retardamento na escolha do candidato pode prejudicá-lo?
Eu acho que já vem prejudicando, porque a falta do candidato não tem atrapalhado apenas a mobilidade, vamos dizer assim, dos partidos para a organização do discurso, da defesa dos nossos nomes, da divulgação do nosso candidato. Mas tem atrapalhado muito também a postura dos palanques regionais que avançou muito pouco pela falta de um nome colocado que pudesse colocar tudo isso, até porque seria o principal interessado. Essa é uma opinião que é minha e que é colocada hoje pelo próprio PSDB no jornal 'O Globo'.

O Democratas tem pressionado o PSDB para que a decisão seja tomada rapidamente?
Não. A gente coloca nossa posição, porque na verdade o poder de decisão do candidato à presidência é do PSDB, o nosso poder de decisão é coligar ou não coligar com o PSDB. É claro que coligaremos, mas esse é o poder que nós temos. Então cada um no seu limite de poder, mas com a possibilidade de fazer essa discussão pública já que o PSDB abriu uma proposta de prévias e, naturalmente, essa discussão é pública e todos devem e precisam participar. A nossa posição é deixar claro o que nós acreditamos e pensamos que seja melhor para a aliança. Até porque, se nós somos aliados, a opinião dos aliados é importante para a formação de uma melhor chapa e de uma estrutura que nos garanta melhor possibilidade de vitória.

Como o senhor avalia que a sua posição, como presidente do Democratas, afeta a decisão do PSDB?
Não sei, acho que cada tem direito de avaliar. Eu acho que dentro dos Democratas a enquete que 'O Globo' fez mostra exatamente uma preferência pela candidatura do Aécio, certamente pelos mesmos motivos que eu coloquei, mas sem dúvida nenhuma são dois grandes candidatos. Qualquer um dos dois candidatos que represente a oposição, nós estaremos bem representados.
Agora, na hora em que o partido abre prévias, é óbvio que todos têm o direito de opinar, apesar de alguns, como nosso partido, não terem o direito da decisão, todos têm o direito de fazer essa discussão. É uma questão que envolve os interesses e a perspectiva de poder dos três partidos.

Então o senhor acredita que as prévias são a melhor maneira de decidir quem será o candidato? E não um acordo?
Esse poder de decisão é deles. Qual o melhor caminho eu não sei. Eu sei que as prévias estão colocadas, então todos que têm interesse nesse processo tenham a possibilidade de opinar de forma aberta. Às vezes se acha muito que uma opinião que uma idéia é contra ou a favor, não tem nada contra ou a favor, é a favor de todos, é a favor daquilo que cada um considera que seja o melhor caminho para as oposições em 2010.

O seu apoio ao governador Aécio é uma maneira de pressionar o PSDB para se decidir?
Não. A minha posição é uma posição de quem entende que o processo político se faz de forma permanente, os partidos precisam estar colocados com seus pré-candidatos não apenas para o debate pré-eleitoral, mas para a construção da melhor estrutura de campanha dos palanques regionais. E acho que nesse momento, a candidatura do Aécio poderia agregar mais que a candidatura do governador de São Paulo. Apesar de entender que o governador de São Paulo, tem um currículo político importante, foi Ministro da Saúde, o que dá a ele uma imagem positiva em todas as pesquisas, mas a eleição se constrói agregando primeiro os nossos, que estão basicamente agregados, e depois agregando parte da sociedade e parte de outros partidos, já que vivemos em um sistema multipartidário. Acredito que a candidatura de Aécio pode fazer essa agregação com melhor êxito. Já que a estratégia colocada pelos dois pré-candidatos é não ter um confronto aberto, direto com o presidente Lula.

O senhor vê uma imposição do PSDB na estratégia eleitoral?
Não, o diálogo é permanente. Às vezes, os interesses não são os mesmos nos palanques regionais e aí tem que se costurar com os diretórios regionais uma solução que tenda aos interesses da campanha nacional, agora como você não tem um candidato a presidente, as vezes as questões não vão sendo decididas e acabam sinalizando para os aliados do PSDB, como não há uma sinalização clara em muitos Estados que o PSDB vai priorizar as eleição nacional e não as eleições regionais, acaba gerando nos aliados um questionamento: 'se eles em muitos Estados , não estão priorizando uma decisão que favoreça a questão nacional, não tenho por que, eu, fazer essa decisão antecipada'.
Então é como eu te disse, é necessário um candidato a presidente para que as decisões avancem e que possamos convencer os nossos diretórios regionais que a aliança A ou aliança B seja o melhor caminho para a candidatura a presidente.

O senhor ligou para o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, sobre um jantar ocorrido em São Paulo, que reuniu Democratass e Psdebistas? Como foi essa conversa?
Não foi nada disso, o Kassab me ligou comentando do jantar, eu estava em Brasília, não tinha porque participar do jantar, que era com o diretório regional do PMDB de São Paulo. Até porque o diretório nacional do PMDB decide essa semana o apoio a Dilma. Não há nenhum tipo de problema. As pessoas para criar intriga interna, colocam em questões menores, o problema maior. Essa não é uma questão relevante, o relevante é que se possa ter o melhor candidato, a melhor chapa, os melhores palanques regionais para ganhar a eleição. Essa questão das intrigas eu deixo para as colunas de jornal.

 
Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
Deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM

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