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Quarta, 21 de outubro de 2009, 08h03

ONU destaca importância dos oceanos na discussão climática

Amália Safatle
De São Paulo

Conservação e uso sustentável de florestas, substituição de combustíveis fósseis por renováveis, tecnologia para uma maior eficiência energética, técnicas de produção agropecuária que permitem emitir menos carbono. Tudo isso tem sido discutido amplamente nos últimos tempos e agora mais ainda, a menos de 50 dias da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15, a ser realizada em Copenhague.

Mas a própria ONU, por meio de três agências, chama a atenção para uma parte da Terra que, embora cubra 71% de sua superfície, tem sido menos abordada nessa discussão: os oceanos.

O relatório Blue Carbon: The role of healthy oceans in binding carbon acaba de ser lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco.

Segundo o estudo, ecossistemas marinhos como os manguezais, as gramas marinhas e os marismas, (terrenos alagadiços à beira-mar) funcionam como "sumidouros de carbono azul": são capazes de absorver da atmosfera e armazenar o equivalente a mais da metade do carbono emitido pelo setor de transporte do mundo todo.

Assim, as agências defendem que um fundo de "carbono azul" seja criado para investir na conservação e reabilitação desses ecossistemas. E que essa medida seja considerada pelos governantes como essencial para combater a mudança climática.

Estima-se que hoje a destruição desses sumidouros seja sete vezes a taxa de perda de 50 anos atrás. Nesse ritmo, a maior parte deles pode acabar em duas décadas.

Aliada ao Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), a conservação dos ecossistemas marinhos poderia resultar em até 25% da diminuição de emissões necessária para evitar mudanças do clima consideradas "perigosas", em que o aquecimento da temperatura da Terra ultrapassaria 2 graus Celsius. Sozinha, responderia por pelos menos 10% dessa redução necessária.

E ainda com uma peculiaridade: enquanto o carbono estocado em terra pode ficar "preso" por décadas ou séculos, aquele guardado nos oceanos fica retido por milênios.

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Reprodução
ONU defende criação de fundo de "carbono azul" para preservar oceanos

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