
Lecticia Cavalcanti
Do Recife (PE)
A revista Forbes divulga, vez por outra, relação dos 10 mais - mulheres mais poderosas, atletas mais bem pagos, aluguéis mais caros, homens de maior fortuna, carros que mudaram a história, melhores hotéis. Esse costume perdeu força, entre nós, embora os mais velhos ainda se lembrem das 10 mais certinhas do Lalau - criação do jornalista Sergio Porto, que se assinava como Stanislaw (Lalau) Ponte Preta. É dele o "Samba do Crioulo Doido", aquele em que "Chica da Silva tinha outros pretendentes e obrigou a princesa (Leopoldina) a se casar com Tiradentes".
Na lista das cidades mais felizes do mundo, Forbes elegeu o Rio de Janeiro; e, na sequência, Sidney, Barcelona, Amsterdã, Melbourne, Madri, São Francisco, Roma, Paris e Buenos Aires. Deixando o Nordeste de fora. É que, provavelmente, esses gringos da Forbes nunca passaram um verão nas nossas praias. Que se assim fosse, com certeza, estariam também nessa lista Porto de Galinhas, Gaibu, Maria Farinha, Itamaracá, Barra de São Miguel, Cabedelo, Pipa.
É bom que se diga que a escolha do Rio de Janeiro é mais do que justa; que o carioca é feliz pela própria natureza. De todo jeito. Subindo e descendo morro, sambando, jogando pelada, equilibrando lata d'água na cabeça, escapando de bala perdida ou só contemplando a paisagem deslumbrante da cidade.
Engraçado é que nem todos os votantes estiveram lá; conhecendo (ou adivinhando) a alegria desse povo só através de televisão, revista ou cinema, como no filme "Voando para o Rio" (1933) - famoso por marcar o início da parceria de Fred Astaire e Ginger Rogers dançando nos salões do Copacabana Palace. Nos tempos em que o Copacabana Palace era o Copacabana Palace. E quando Fred Astaire ainda dançava apenas com mulheres, que depois ganhou fama dançando até com um porta-chapéu ("Núpcias Reais").
Certo é que, em agosto passado, a revista publicou mais uma de suas listas, agora com as 10 melhores cidades do mundo para comer bem. Em primeiro lugar, sem surpresas, ficou Paris; e depois Roma, Tóquio, México, Barcelona, Madri, Milão, Hong Kong, Pequim e Xangai. Nada do Brasil, na lista. Sem que se saibam os critérios usados nesta última seleção ou quem votou.
Apesar disso, ou talvez por isso, já se pode dizer que essa gente, com certeza, nunca provou pato no tucupi (Pará), caldeirada de peixe (Amazonas), paçoca (Piauí), panelada (Ceará), arroz de cuxá (Maranhão), vatapá (Bahia), feijoada (Rio de Janeiro), cuscuz paulista (São Paulo), virado com torresmo (Minas), barreado (Paraná), marreco recheado (Santa Catarina), churrasco (Rio Grande do Sul), nem nossos pratos pernambucanos - cozido, sarapatel, buchada, mão-de-vaca, galinha de cabidela, carne de sol, peixada, pitu com pirão pitinga. Sem contar bolo de rolo, Souza Leão, cocada, cartola. Penso que errou feio a Forbes quando fez essa última lista.
Faz mal não, o tempo anda e nossa vez chegará. Na próxima votação, quem sabe, alguns dos eleitores terão passado por aqui e provado nossos pratos. Se assim for, desde agora já se sabe qual será o lugar eleito como o dos melhores sabores do planeta. Pernambuco, claro. Modéstia a parte.
Cartola
Ingredientes:
2 bananas-prata maduras
1 colher (de sobremesa) de manteiga
2 fatias (grossas) de queijo do sertão
1 xícara (de chá) de açúcar cristal
2 colheres (de sopa) de canela
Preparo:
Frite as bananas (quanto mais maduras melhor) na manteiga, até que fiquem bem douradas, e já coloque no prato em que vai servir.
Derreta o queijo no fogo (se necessário, use um pouquinho de leite), até cobrir completamente as bananas.
Misture açúcar e canela. Cubra o queijo, muito generosamente, com essa mistura. Tanto que sobre bastante, pelos lados do prato - posto que, com freqüência, se usa o excesso para besuntar a garfada desta banana com queijo. Sirva imediatamente.
Fale com Lecticia Cavalcanti: lecticia.cavalcanti@terra.com.br
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