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Quinta, 29 de outubro de 2009, 11h07 Atualizada às 12h07

Lula não fez pressão descabida pela Venezuela, diz Garcia

Agência Brasil
Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Lula para assuntos internacionais
Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Lula para assuntos internacionais

Marcela Rocha

O presidente Lula embarca para Venezuela. A Comissão de Relações Exteriores do Senado vota a entrada do país de Chávez no Mercosul. Lula espera levar boas notícias para a nação vizinha que, segundo o assessor do presidente brasileiro para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, se enquadra nos princípios democráticos e comerciais para entrar no bloco.

De Caracas (Venezuela), Garcia fala a Terra Magazine sobre a nova investida do presidente golpista de Honduras, Roberto Michelleti, e sobre a entrada da Venezuela no Mercosul. Segundo ele, o presidente Lula não fez pressões descabidas para que o Congresso aprove a matéria.

- Não é muita pressão. Simplesmente o governo quer que entre. Não houve nenhuma pressão descabida.

Veja também:
» Comissão do Senado vota adesão da Venezuela ao Mercosul
» Itamaraty diz que TPI não reconhecerá processo de Micheletti
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A Comissão de Relações Exteriores do Senado vota nesta quinta-feira, 29, o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou parecer contrário e o líder governista, senador Romero Jucá (PMDB-RR), apresentará um voto em separado favorável ao ingresso e com mais 11 assinaturas de parlamentares. (Leia mais).

A oposição alega que o país de Chávez não respeita as cláusulas democráticas para entrar no bloco. Segundo Jucá, as 11 assinaturas evitam submeter a votação às condições levantadas pela oposição para o ingresso da Venezuela e garantem também que a votação não seja adiada novamente. O líder governista pediu vistas quando Jereissati apresentou seu voto contrário.

Para o assessor de Lula, críticas de falta de democracia no país vizinho são infundadas, pois "num país onde não há democracia a oposição não se manifesta". "A Venezuela preenche os pré-requisitos para entrar no Mercosul", acrescenta.

Sobre Honduras, Garcia acredita que o processo movido por Roberto Michelleti à Corte Internacional não passa de uma jogada política e acrescenta que "ele não é um governo, é um golpista que se apossou do poder, não é legítimo".

O governo de Roberto Michelleti iniciou nesta quarta-feira, 28, os procedimentos para processar o país por "ingerência" nos assuntos internos de Honduras. A suposta intromissão está relacionada à presença do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde 21 de setembro.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Como o governo brasileiro recebeu a nova investida do governo golpista?
Marco Aurélio Garcia -
O Itamaraty recebeu da melhor forma, ele não é um governo, é um golpista que se apossou do poder, ele não é legítimo. O Michelleti não tem habilitação para fazer o que fez (processar o Brasil por ingerência política) e para o Tribunal (Penal Internacional de Haia) aceitar precisa ser um governo legítimo. É evidente que é uma jogada política.

O que pode ser feito pelo governo brasileiro?
A primeira coisa é esperarmos para ver se será recebida a denúncia. A impressão que tenho é de que não será nem recebida. A Corte vai desqualificar a procedência, o trâmite não será aceito na minha impressão.

Aproveitando o fato de o senhor estar na Venezuela, fala-se que houve muita pressão do presidente Lula para que a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprove a entrada do país vizinho no Mercosul. Isto é fato?
Não é muita pressão. Simplesmente o governo quer que entre. Não houve nenhuma pressão descabida, a base do governo defende a entrada e inclusive alguns senadores da oposição também defendem. Creio que em menos de um mês esse assunto esteja resolvido.

O prefeito de Caracas acredita que o fato de a Venezuela não ser um país democrático comprometa o Mercosul.
Evidentemente que não concordo e até acho estranho que o prefeito de Caracas se manifeste nesses termos sobre a democracia. Num país onde não há democracia a oposição não se manifesta. Vi aqui programas de televisão extremamente críticos ao governo de Chávez, a imprensa é muito crítica. Num país sem democracia isto não é permitido. Acredito que a Venezuela preenche os pré-requisitos para entrar no Mercosul.

Qual o mais fundamental?
Todos. Os indispensáveis como o acordo econômico e comercial, a Venezuela aceitou e implementou. E há, evidentemente, as cláusulas democráticas, que, na avaliação dos quatro países, A Venezuela preenche também. Levado ao Congresso, a Argentina já aprovou, o Uruguai também, falta o Brasil e o Paraguai que, na minha avaliação, espera a decisão brasileira para se posicionar.

O que significaria a não entrada da Venezuela no Bloco?
Enfraquece o processo de integração sul-americana. A entrada geraria um fluxo comercial muito maior e estimula mais investimentos. Os países que têm dependência de petróleo seriam mais beneficiados.

É pouco provável que não seja aprovado...
Eu espero que sim.

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