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Segunda, 2 de novembro de 2009, 07h53

Amanhã sempre tem mais

Márcio Alemão
De São Paulo

Lima Duarte contava bem a história sobre o primeiro dia que a TV foi ao ar. Uma programação cuidadosamente planejada encantou aos muitos ­quase nada comparados aos números de hoje ­ que viram a mágica acontecer. E houve uma festa, claro. E na festa brindava-se aqui, festejava-se acolá. Até que um sujeito sem graça decidiu perguntar: "E amanhã? O que vamos colocar no ar?"

Eu diria que até hoje essa pergunta é a que mais preocupa qualquer pessoa que trabalha na área.

Na excelente e extinta série Studio 60 on the Sunset Strip, Matthew Perry, o Chandler de Friends, é o diretor de um programa no estilo do Saturday Night Live que vai ao ar uma vez por semana, ao vivo. No primeiro episódio ele instala um enorme relógio digital em sua sala. Enorme mesmo, com uns dois metros de comprimento, mostrando uma contagem regressiva. Quando finalmente o programa vai ao ar, o relógio zera e automaticamente recomeça a contagem.

A nova temporada de House começou na semana retrasada. E começou com um episódio brilhante. O segundo episódio eu diria que foi um mau necessário. Impossível de ser comparado ao primeiro, ele teve um propósito: encaixar House em sua nova vida.

É interessante quando um seriado ganha esse status de "coisa a ser seguida". Na teoria, e no começo da série, cada episódio deveria ser absolutamente autônomo. Mas House estava iniciando sua sexta temporada. E foi visto por 16,5 milhões de pessoas nos EUA.

Hoje seus escritores podem se dar a esse luxo: escrever episódios que eu chamaria de episódicos, pois acabam funcionando apenas como escada. Ou, como diria minha avó referindo-se às novelas, "hoje só encheram linguiça."

Se me permitem os leitores não tão familiarizados com o seriado, faço um observação de fã da série: mandem o Foreman embora, please!

Não vou descrevê-lo. Saiba apenas que chega a ser mau ator e que seu personagem tem tanto carisma quanto um pé de mesa. A pergunta que realmente me persegue: "será de propósito?"

É possível que seja, assim como seus dois colegas, que também são fracos. Tudo para fazer House brilhar e se destacar ainda mais? Perigoso, se for intencional. Eu, apesar de fã, cheguei a deixar de acompanhar a série na última temporada. Motivo primeiro: House tornou-se muito escuro. Segundo: sua equipe; essa que citei.

De volta ao início, o que me interessava mesmo comentar era sobre a hercúlea tarefa de colocar no ar toda semana, ou todo dia, um bom show, ainda que seja ele um show jornalístico.

O Fantástico tem apresentado essa dificuldade.

Mas sobre isso falo na semana que vem.

Márcio Alemão é publicitário e cronista gastronômico da revista Carta Capital.

Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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Seriado "House" foi visto por 16,5 milhões de pessoas nos EUA

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