Atualizada às 10h12 Marcela Rocha
Nesta quarta-feira, 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa se acolhe ou não a denúncia de "peculato e lavagem de dinheiro" contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) referente ao caso conhecido como mensalão mineiro. O tucano, que é um dos fundadores e ex-presidente de seu partido, diz não ter expectativas sobre o que pode ser decidido pelos magistrados, mas se defende: "Nunca houve mensalão em Minas Gerais".
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A denúncia foi apresentada à Corte pelo ex-procurador geral da República (PGR) Antonio Fernando Souza. Nela, o senador e outros investigados, como o publicitário Marcos Valério, são acusados de criar e administrar um suposto esquema de "caixa dois" durante a campanha para a reeleição de Azeredo ao governo mineiro em 1998. Ou seja, dinheiro público teria financiado a campanha do então candidato.
- O termo "mensalão" era empregado incorretamente para se referir ao caso envolvendo o meu governo em Minas Gerais. É incorreto - justifica o senador.
O caso ficou conhecido como mensalão tucano, ou mensalão mineiro, ou ainda valerioduto tucano, em menção ao esquema de pagamento ilegal a parlamentares administrado por Marcos Valério. Segundo o inquérito que instrui a denúncia, Azeredo é acusado de ser "um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado".
Em entrevista a Terra Magazine, Azeredo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, fala também sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul. Ele é contrário e avalia que ainda faltam "garantias mais sólidas" para que a Venezuela não seja um elemento "desagregador" no bloco.
Azeredo não está otimista e diz achar que a base governista vai "acabar aprovando isso em plenário", onde também são maioria, como na comissão.
Leia abaixo a entrevista com o senador Eduardo Azeredo:
Terra Magazine - O senhor acredita que a base governista consegue aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul, mesmo diante dos novos conflitos com a Colômbia?
Eduardo Azeredo - Olha, não tenho grandes expectativas com relação a isto. Acredito que sim, a base governista obterá sucesso e aprovará a entrada do país vizinho no bloco. Mas agora teremos mais votos contra. Senadores que não estavam na comissão agora votarão e endossarão nosso posicionamento. Eu sempre disse que precisamos de garantias mais sólidas para permitir o ingresso da Venezuela no Mercosul. Ele não pode ser um elemento desagregador no bloco.
Como Collor, por exemplo?
Sim, Collor era um dos que tinham um posicionamento bastante crítico à entrada da Venezuela. Ele não pôde comparecer à Comissão de Relações Exteriores no Senado e veio o seu suplente Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Ele não mudou de posicionamento. Teve que fazer uma viagem e não veio ao Senado ao longo de toda a semana. Acredito que agora ele virá.
Senador, mudando um pouco de assunto, amanhã o Supremo Tribunal Federal analisa se aceita ou não a denúncia contra o senhor sobre o "mensalão Mineiro". Quais as expectativas do senhor em relação a esta decisão?
Não espero nada. A única coisa que posso fazer neste momento é aguardar a decisão do STF.
Entendo, mas...
Olhe, nunca houve mensalão em Minas Gerais.
Mas senador, foi um esquema denunciado que envolveu o publicitário Marcos Valério e que, segundo as denúncias, o senhor estaria envolvido.
Deixo esta decisão ao STF. A mim, cabe aguardar. Na ocasião, eu já dizia que o termo "mensalão" era empregado incorretamente para se referir ao caso envolvendo o meu governo em Minas Gerais. É incorreto e mais, as questões financeiras da campanha eleitoral de 1998 não eram de minha responsabilidade e nem delas tinha conhecimento.
Pode se dizer que há ausência de materialidade?
Deixo que o meu advogado trate destes assuntos. Confio nele.
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Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
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