
Atualizada às 08h09 
O novo livro do cartunista Nildão, Quem pode, pódio, é uma investida nas relações pessoais. Soteropolitano, Nildão não intenta se aprofundar no que chama de "absurdos da sociedade". Ao contrário, quer recuperar a delicadeza no trato que, de disputa em disputa, avalia, tornou-se "tenso e perdeu o humor".
Veja também:
» Galeria com mais cartuns
O pódio de Nildão é circular. "Você fica em pé, mas tem que correr muito para se manter lá. Você não consegue ficar parado no primeiro lugar. Tem que suar a camisa", antevê o cartunista. A obsessão pelo primeiro lugar é "um gasto de energia desnecessário da humanidade", critica Nildão, "mas faz parte".
Detalhes e inversões pontilham os 74 cartuns de Quem pode, pódio, que o leitor de Terra Magazine confere semanalmente.
Além do livro, o designer e cartunista lança o site: www.nildao.com.br. No endereço eletrônico estão trabalhos de seus doze livros, entre eles
Penso, logotipo. Produtos de sua criação - livros, pôsters, postais e camisetas - estão disponíveis na loja virutal. Modelos como como a camiseta "Roupa de Grife Tô Forum" podem ser achados aqui: http://www.nildao.com.br/lojavirtual.
Nildão descarta a grosseria dos motoristas, a gritaria do dia-a-dia. Recorre às crianças, aos animais, às cores "exuberantes" de Salvador para aliviar a vida com humor. É de Nildão o cartum da estreia de Terra Magazine, em 17 de abril de 2006. A série "São Será o Benedito e Outros Santos Geneticamente Modificados", ele compôs em parceria com Renato da Silveira (veja aqui).
Um, não. Quatro
Quem pode, pódio está subdivido em quatro sessões. "Quem pode, pódio" é a primeira delas, seguido por "O bicho vai pegar", com a leveza das baleias e a suscetibilidade dos jacarés. Na terceira parte, "A noite é uma criança", a poesia brilha ao lado da lua, ambas penduradas no varal.
"Você dizer hoje que um homem é delicado é comprometedor. E eu acho que não. A gente tem que ser delicado, precisa de poesia e de bom humor", atesta Nildão. "O mais importante é você agregar conteúdo. Criar seu próprio mundo, nem que seja pequeno, nem que seja mundinho, mas que seja seu, com sua linguagem, com sua maneira de ver toda a sociedade que nos cerca".
A quarta parte de Quem pode, pódio "adultera uma frase típica de Salvador", conta Nildão. "Sorria, você Star na Bahia" é seu "xodó", a sessão em que brinca com as características de sua cidade. O buzu, a timbalada, o Bonfim, as carroças e os jegues.
- Trabalho muito com a relação entre o que nós temos dos antepassados, da cultura afro-baiana - a musicalidade, o corpo, a estrutura física da gente - e a modernidade. Uma brincadeira sempre antagônica.
Terra Magazine
» Para viver, teatro deve matar, alegremente, sua museografia