
Atualizada às 08h41 Carolina Oms
Especial para Terra Magazine
Nesta sexta-feira, 6, chega às livrarias o livro Miragem de Paz, da jornalista Guila Flint. O livro apresenta artigos, reportagens e entrevistas que abordam o conflito israelense-palestino e revelam aspectos sociais, culturais, religiosos e políticos das nações. "É uma seleção de cerca de 300 textos, entre aproximadamente 5 mil que eu fiz nos últimos 15 anos de trabalho como correspondente internacional", explica a autora.
Episódios como ofensiva israelense na Faixa de Gaza, o fortalecimento dos grupos radicais, além das diversas negociações fracassadas e a segunda Intifada foram alvo de reflexão. A construção do Muro também ganhou destaque no livro, sendo também referência para a capa do livro
- A capa traz um grafite de Banksy, conhecido artista de rua inglês, onde se vê crianças brincando em uma paisagem paradisíaca. Quando eu pensei no título do livro me veio à lembrança essa foto. Não é só a paz que é uma miragem no conflito entre Israel e Palestina é o próprio processo.
As matérias que compõem o livro estão organizadas por capítulos históricos, partindo do assassinato do primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin, por um extremista israelense, em 1995, "foi o primeiro grande golpe que o processo de paz entre as duas nações sofreu", explica Guila Flint.
- O assassinato de Rabin foi um golpe muito duro na liderança israelense, que tinha, naquele momento, a disposição a autoridade moral e o apoio político para levar adiante o processo de paz. Depois da morte de Rabin não surgiu outro líder que tivesse esses três elementos.
Além desse, a autora destaca outros dois grandes obstáculos para a solução do impasse e que causaram a radicalização do discurso pró-violência em ambas as partes. "Os atentados suicidas que começaram nos anos 90 e se estenderam até 2006, cometidos pelo grupo Hamas, contra civis israelenses". "Esses atentados abalaram profundamente a confiança dos israelenses no processo de paz", avalia.
A ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, também é destacada como crucial no conflito "a ampliação abalou profundamente a confiança dos palestinos no processo de paz".
Com base em sua experiência como repórter, a autora tem uma opinião, como ela mesma a classificou, bastante pessimista sobre a situação no Oriente Médio. "A solução de dois estados, com a volta de Israel as fronteiras de 1967, e uma solução para as questões mais espinhosas do conflito - dos refugiados e de Jerusalém -, me parecem bastante distantes nesse momento. No contexto atual, a eclosão de uma nova onda de violência na região parece mais provável do que um avanço significativo do processo de paz", analisa Guila Flint.
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