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Sexta, 6 de novembro de 2009, 07h56

Parceiro ou saco de pancadas?

Vera Gonçalves de Araújo
De Roma

Silvio Berlusconi já liquidou por nocaute uma dúzia de líderes da esquerda. Na semana passada, entrou no ringue um novo lutador, Pierluigi Bersani, recém eleito secretário do principal partido de oposição da Itália, o Partido Democrata (PD). O rapaz tem 58 anos - o que nesse país tão velho quer dizer uma jovem promessa da política.

Bersani foi eleito por 3 milhões de eleitores que pagaram 2 euros e fizeram filas intermináveis para votar nas primárias. Mais um exemplo das contradições deste país, onde a democracia pode ser completamente ignorada ou aplicar o máximo de transparência na escolha de seus protagonistas.

Seu principal rival no voto foi Dario Franceschini, ex-democrata cristão que entrou em cena quando o primeiro secretário do PD, Walter Veltroni, se demitiu em fevereiro passado depois de um resultado negativo nas eleições regionais. Veltroni também foi escolhido pelos eleitores, com 4 milhões e meio de votantes nas primárias.

Bersani tem fama de pragmático. Filho de um mecânico da região mais vermelha da Itália, a Emilia-Romagna, fez uma carreira exemplar como dirigente do antigo Partido comunista italiano. Festejou a vitória com os operários de uma fábrica textil. Mas não pode ser liquidado com o corriqueiro brado retumbante de Berlusconi - "comunista!". Como ministro do governo Prodi, ficou famoso por suas propostas de liberalismo econômico, mais do que por seu marxismo.

A sua eleição já provocou o primeiro racha no partido. Francesco Rutelli - conhecido como o líder mais derrotado do centro-esquerda - um dos fundadores do PD e chefe da ala centrista e católica conservadora do partido, acusou Bersani de ser um homem do passado, e anunciou que vai sair para fundar um novo partido centrista. Por enquanto só anunciou sua partida, e no PD se registram mais suspiros de alívio do que preocupação.

Bem mais sérios do que a perda de Rutelli são outros problemas na agenda do novo secretário. Por exemplo, a série de escândalos que envolveram o PD e que distraem a opinião pública dos casos de corrupção e sexo que têm como protagonista Berlusconi. Que vem perdendo aos poucos sua popularidade - desde maio perdeu dez pontos, chegando a 44 por cento de consenso.

No ano passado, o PD perdeu as eleições regionais também graças a um escândalo de corrupção que envolveu o governador da região do Abruzzi e vários dirigentes do partido. E dois dias antes das eleições primárias que decretaram a vitória de Bersani, "por acaso" estourou outra bomba, desta vez no Lácio, cujo governador, Piero Marrazzo, foi chantageado com filmes e fotografias no quarto de uma prostituta transexual brasileira, cheirando cocaina de cuecas (o Terra Magazine contou essa história no blog do Walter Maierovich).

Marrazzo levou cinco dias para se demitir. Mas afinal se demitiu, ao contrário de Berlusconi, que declarou esta semana que nem se for condenado por corrupção vai embora.

Vera Gonçalves de Araújo jornalista, nasceu no Rio, vive em Roma e trabalha para jornais brasileiros e italianos.


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Pierluigi Bersani, recém eleito secretário do principal partido de oposição da Itália

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