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Segunda, 9 de novembro de 2009, 11h45 Atualizada às 14h49

Geisy e o humor na TV

Redação Terra
Para Márcio Alemão, os estudantes que agrediram Geisy pegaram pesado
Para Márcio Alemão, os estudantes que agrediram Geisy "pegaram pesado"

Márcio Alemão
De São Paulo

Toda a mídia está se encarregando de massacrar e execrar a atitude da escolinha UNIBAN que expulsou Geisy e que certamente irá erguer um obelisco em homenagem aos seus agressores, que se tornaram vítimas.

De minha parte, no meu assunto, lembrei de muitos momentos nos quais o personagem "aluna gostosa" simplesmente nos fazia e nos faz rir. Essa "aluna" frequentava outras escolinhas de melhor nível que a citada.

Na Escolinha do Professor Raimundo, se não me falha a memória, Alcione Mazzeo chegou a fazer esse papel. Alcione casou-se com Chico Anysio. E depois dela vieram várias outras.

Na hilariante Escolinha do Golias, na década de 90, a aluna gostosa e burra servia como escada e ajudava a piada a ficar mais engraçada. Na Uma Escolinha Muito Louca, que está no ar, na Band, sim, também temos algumas moças exuberantes que não são atacadas pelos coleguinhas.

Sempre foi possível questionar esse tipo de humor sexista ou mesmo chamado de "humor de preconceito", que vai tentar ver graça na burrice, nos atributos físicos das mulheres e na opção sexual dos homens. Em outros tempos também rolava a piada racista, que hoje não existe mais.

Antes que algum membro da fraternidade radical da escolinha sem humor e de baixo nível venha argumentar que esse tipo de personagem por mim citado não deveria circular no mundo real e ficar restrito à TV, a ficção, esclareço a minha intenção. Não quero defender a micro saia ou o mega decote em escolas.

Muito menos condená-los. O que não aceito é a reação violenta a eles.

A considerar: existe um outro tipo de humor muito em voga no nosso país. Um humor tão execrável quanto a atitude dos alunos e dos dirigentes da tal escolinha sem graça. O humor de constrangimento.

Já falei disso algumas vezes. Hoje são poucos os humoristas que escrevem.

Ficou mais fácil ir constranger o próximo. Dá mais audiência humilhar, seja um notável ou um Zé qualquer que passa pela rua.

E também é sabido que esse tipo de graça pode se transformar ou resultar em violência, como vimos muitas vezes nas pegadinhas de mau gosto que Ivo Holanda protagonizava.

Acredito que os alunos tentaram, antes de qualquer outra intenção, fazer graça. E a exemplo do que tenho visto em muitos programas, não conseguiram.

Pegaram pesado.

Márcio Alemão é publicitário e cronista gastronômico da revista Carta Capital.

Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br

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